No início do ano de 1921, a revista Illustração Pelotense destacou a atuação do diretor, Sá Pereira, e do professor Andino Abreu, na consolidação do ainda jovem Conservatório de Música de Pelotas, na época uma instituição privada. “Com vultoso número de alunos, o que revela a crescente consideração de que desfruta…”, elogiou o articulista. O texto ainda parabenizou a atuação do violinista Jorge Onçay e as alunas Lourdes do Nascimento, Jacy Martins e Conceição Costa.
Fundado no final da primeira década do século XX, o Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas teve sua trajetória profundamente ligada à atuação do cantor Andino Abreu. O gaúcho nasceu em Arroio Grande, em 2 de janeiro de 1884, mas passou a maior parte da infância e adolescência em Cachoeira do Sul.
“As ligações entre Andino Abreu e o Conservatório de Música de Pelotas remetem à própria criação da instituição. Em abril de 1918, enviado especialmente por Guilherme Fontainha, o cantor foi a Pelotas para realizar um recital e estabelecer contatos com membros da sociedade local, com o intuito de sensibilizá-los para colaborarem com o processo de estabelecimento de um conservatório de música na cidade…Andino já era um cantor de certo reconhecimento, Fontainha contava com seu auxilio para fazer com que o Conservatório de Música de Pelotas fosse o precursor do projeto de interiorização da cultura artística no Rio Grande do Sul, que estava sendo concebido por ele e por José Corsi”, descrevem os professores e pesquisadores Isabel Porto Nogueira e Jonas Klug Silveira no artigo Reflexões interdisciplinares a partir de A Arte do Canto, manuscrito inédito do barítono gaúcho Andino Abreu. A reflexão é alicerçada na obra História do Conservatório de Música de Pelotas (1992), de Pedro Henrique Caldas.
Trajetória

Abreu, sentado, ao lado da soprano Lourdes Nascimento, e juntamente com Manoel Fagundes e Marília Souza Soares; juntos eles compunham um quarteto vocal, em 1922 (Foto: Reprodução)
Em 1901, Abreu ingressou no Seminário, em Porto Alegre, e concluiu seus estudos em 1913. Aos 29 anos, casou-se com a cantoraAna Isabel Barreto, com quem teve duas filhas, Maria e Helena.
Com o convite de permanência em Pelotas, migrou para o município com a família. O Conservatório foi fundado em 4 de junho de 1918 e inaugurado em 18 de setembro. Abreu foi o primeiro professor de canto, teoria e solfejo do Conservatório, onde atuou até 1923.
Após Pelotas, fixou residência em São Paulo. Em 20 de junho de 1928, por exemplo, Andino Abreu e Lucilia Villa-Lobos fizeram na Gramphone a primeira gravação mundial de obras de Villa Lobos para canto e piano.
Apoio a Camargo Guarnieri
Em São Paulo, retomou a rotina de dar aulas e recitais, com grandes elogios de Mário de Andrade, que considerava suas apresentações como verdadeiras “festas da arte”. Aconselhado pelo ex-colega, em Pelotas, Sá Pereira, Andino contratou o músico Mozart Guarnieri para trabalhar como acompanhador de seus alunos. O cantor percebeu o talento do pianista e compositor iniciante e foi o primeiro a apresentar em público, com o autor ao piano, obras daquele que seria conhecido como M. Camargo Guarnieri.
Andino e Guarnieri também se apresentaram em recital com Maurice Raskin, violinista belga amigo de Villa-Lobos, que foi trazido ao Brasil. Depois de uma turnê de um ano pelo Uruguai, em 1930, voltou para Porto Alegre e decidiu abandonar a carreira artística. Também recusou o trabalho de professor do Instituto de Belas Artes.
Entre 1949 e 1952 gravou acetatos na Rádio Farroupilha, algumas dessas composições eram de Villa-Lobos, Paulo Guedes, Souto Menor e Armando Albuquerque, entre outros. Morreu em 1961.
Fonte: História Iconográfica do Conservatório de Música da UFPel (2005), organização Isabel Nogueira.
Há 50 anos
Prefeitura projetava calçar cerca de 15 ruas do bairro Simões Lopes

Famílias pediram solução à prefeitura (Foto: Reprodução)
Com um investimento de cerca de três milhões de cruzeiros, o prefeito Ary Alcântara autorizou em janeiro de 1976 a pavimentação do bairro Simões Lopes. As obras atendiam a uma demanda das famílias daquele bairro, que haviam levado um abaixo-assinado à prefeitura, solicitando o calçamento das vias.
A promessa era de que seriam calçados 45 mil metros quadrados de via, cerca de 15 ruas. O planejamento ainda previa a construção de 1, 2 mil metros de galerias pluviais.
Seriam calçadas as ruas: Clóvis Beviláqua – entre Uruguai e Nossa Senhora Aparecida; N. S. Aparecida – entre C. Beviláqua e Onofre Pires; Doutor Luiz Pereira Lima; Afonso Arinos; Visconde de Rio Grande; Visconde da Graça; Onofre Pires; Barão de Cerro Largo; Saturnino de Brito – faixa direita; prolongamento da rua Uruguai, entre Clóvis Beviláqua e Visconde da Graça; Carlos Bordini; C. Assumpção e P. Scholl.
Galerias
No projeto também estavam acertadas quais as vias que receberiam as galerias pluviais: Saturnino de Brito; Brasiliense; Siqueira Campos; Visconde da Graça; Visconde de Rio Grande; Afonso Arinos; Onofre Pires e o prolongamento da rua Uruguai.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense