NR-1 passa a exigir atenção à saúde mental no trabalho

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NR-1 passa a exigir atenção à saúde mental no trabalho

Norma inclui riscos psicossociais no gerenciamento de questões ocupacionais e entra em vigor em maio

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Atualizado quarta-feira,
14 de Janeiro de 2026 às 11:06

NR-1 passa a exigir atenção à saúde mental no trabalho
Atualização insere exigências que antes se restringiam apenas à saúde física do trabalhador (Foto: Jô Folha)

A partir de 26 de maio, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a incluir os fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho como parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A medida chega em meio a um cenário preocupante de saúde mental no Brasil. Em 2024, dados do Ministério da Previdência Social apontaram mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais – o maior número registrado desde 2014.

De acordo com a consultora em ESG e Bem-estar Corporativo, Louise Cardoso, até setembro de 2025 já haviam sido contabilizados cerca de 400 mil afastamentos relacionados à ansiedade, depressão e burnout. Desse total, aproximadamente 300 mil casos envolveram mulheres.

A inclusão da saúde mental na NR-1 estava prevista para entrar em vigor em 2025, mas acabou sendo adiada após pressão do mercado e dificuldades de implementação. Segundo Louise, mais de 900 profissionais foram contratados para atuar na fiscalização da norma, que inicialmente terá caráter orientativo, sem aplicação imediata de autuações.

Mudanças

A atualização da NR-1 amplia o olhar que antes se restringia à saúde física, passando a considerar fatores como sobrecarga de trabalho, metas abusivas, assédio moral e sexual, ambientes organizacionais tóxicos, jornadas excessivas e a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

As empresas deverão mapear esses riscos psicossociais por meio de questionários validados, com participação anônima dos trabalhadores, e elaborar planos de ação contínuos, integrados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e ao próprio GRO. O serviço público não está contemplado pela medida. “A proposta não é fazer ações pontuais, mas promover mudanças reais no cotidiano organizacional. Não funciona aplicar algo em um único dia do mês e, nos outros, manter um ambiente de opressão”, ressalta Louise.

Para ela, o papel do setor de Recursos Humanos e das lideranças é central nesse processo. “A parte técnica do negócio se aprende, mas gerenciar pessoas e conflitos exige desenvolvimento emocional e preparo”, afirma, defendendo investimentos em capacitação de lideranças, inteligência emocional e psicologia positiva.

Demandas dos trabalhadores

Segundo a especialista, as principais demandas dos trabalhadores hoje envolvem ambientes mais saudáveis, humanos e transparentes. Os profissionais querem ser ouvidos, participar das decisões e sentir pertencimento nas empresas. Há também uma expectativa crescente por equilíbrio entre vida pessoal e profissional, especialmente diante de novos modelos de trabalho.

Mais produtividade

Para Louise, investir em bem-estar é uma estratégia de negócio. “Não é só cumprir uma norma ou gerar custo. É pensar na sustentabilidade da empresa. Sem pessoas saudáveis e engajadas, não há produtividade nem legado”, destaca. Ela ainda afirma que a prevenção é financeiramente mais vantajosa do que lidar com afastamentos. “Uma pessoa adoecida produz menos, sobrecarrega outros colegas e gera custos com afastamento, desligamento e novas contratações.”

Sobre o receio do uso indiscriminado de atestados, a consultora reforça que a norma estabelece critérios claros e documentação objetiva. “Pessoas desinteressadas sempre vão existir. Com um ambiente saudável, elas acabam se desligando naturalmente”, conclui.

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