Diante do desequilíbrio na divisão orçamentária nacional, em que municípios enfrentam crises constantes pelas faltas de recursos, as universidades também ganham um papel fundamental na própria prestação de serviço público. Por isso os cortes em custeio e o asfixiamento das finanças universitárias preocupam as próprias comunidades onde estão inseridos. A UFPel a e Furg, por exemplo, são casos gritantes: administram hospitais, unidades de saúde, oferecem serviços gratuitos às populações e, com cada vez menos dinheiro em caixa, isso entra em risco.
É importante que a própria sociedade perceba que hoje o papel da universidade nas comunidades vai muito além da sala de aula. Elas são baseadas em um tripé de ensino – que, aí sim, entram as graduações –, pesquisa e extensão. Esses dois últimos geram impacto real mesmo para quem nunca pisou em uma sala de aula. É na pesquisa que se desenvolvem desde a vacina até as patentes de novos produtos. Aqui, a UFPel avançou, por exemplo, no imunizante contra a dengue. É na extensão que os serviços como UBSs, assessoria jurídica e agropecuária são fornecidos a quem mais precisa.
Por isso, é absurdo ver o Congresso – e, por tabela, o governo federal – encolherem cada vez mais o recurso que é destinado às instituições de ensino. Ontem, A Hora do Sul revelou que a UFPel perdeu o equivalente a R$ 106 milhões desde 2014. A redução é de “mais de um mês por ano”, em uma conta simples. E há todo um malabarismo diante da previsão de um déficit na casa dos R$ 15 milhões.
Quando uma universidade que criou raízes e se tornou parte da identidade de uma cidade sangra, toda a comunidade perde junto, mesmo que não perceba. Fortalecer as instituições de ensino é estimular todo o desenvolvimento regional, incluindo as empresas, que recebem mão de obra qualificada e suporte em áreas pontuais, quando necessário. Pelotas depende, e muito, da UFPel. Rio Grande depende da Furg. Não podemos aceitar seu encolhimento sob hipótese alguma.
