Há 90 anos
Nesta segunda-feira, dia 12 de janeiro, Sirley da Silva Amaro completaria 90 anos. Nascida em 1936, em Pelotas, e falecida em 28 de outubro de 2020, a Mestra Griô pelotense permanece viva na memória coletiva da cidade e na história da cultura negra do Rio Grande do Sul.
Costureira de ofício, educadora por vocação e guardiã da tradição oral, Sirley construiu sua trajetória muito antes do reconhecimento institucional. Filha do cozinheiro e folião João e da empregada doméstica e costureira Ambrozina, cresceu na rua Capitão Cícero – hoje Major Cícero – em uma infância marcada pela escassez material, mas abundante em saberes ancestrais transmitidos pela família e pela comunidade negra pelotense. Das lembranças daquele tempo, destacava os Natais compartilhados entre vizinhos e o espírito de solidariedade que fortalecia laços e identidades.
Trabalho comunitário
Antes de ser reconhecida como Mestra Griô, em 2006, Sirley trabalhou em escolas e deu aulas de costura na Casa das Meninas, em Pelotas. Participava ativamente da organização de festividades comunitárias e integrou o Grupo Odara, espaço de referência na valorização da história e da cultura negra na cidade. Sua atuação se ampliou com a Ação Griô Nacional, vinculada ao Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, que reconheceu oficialmente, em 2007, seus saberes e fazeres adquiridos pela oralidade.
Descendente de pessoas escravizadas, Sirley narrava lutas e conquistas de seus antepassados, refletia sobre racismo, direitos, gênero e a condição das mulheres negras em uma estrutura social marcada pela desigualdade. Com a serenidade dos mais velhos, costumava dizer: “Eu fui atriz toda a vida, e pelo teatro do oprimido todos nós somos artistas”.
Premiações
Dona de uma memória admirável, conhecida pelo bom humor e pela calma ao contar histórias, ministrou oficinas de saberes populares em diferentes cidades. Foi homenageada com o Prêmio Culturas Populares, em 2013; teve seu nome dado à Biblioteca Comunitária Mestra Griô Sirley Amaro, no Quilombo do Sopapo, em 2017; e, em 2019, tornou-se a primeira mulher negra a receber o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Pelotas.
Passados quase seis anos de sua morte, Sirley Amaro se mantém como memória viva, referência ética e cultural, e voz fundamental da história negra de Pelotas.
Há 50 anos
Associação dos Farmacêuticos homenageia Paulo Mascarenhas
Celebrando os 50 anos dedicados à profissão de Farmacêutico, o pelotense Paulo Weishappel Mascarenhas recebeu uma homenagem especial. Na época Mascarenhas ainda desempenhava a profissão, dedicando-se também à pesquisa, desde o ano de 1926, quando passou a integrar o quadro de profissionais da Farmácia Khautz, então Farmácia Dr. Balbino Mascarenhas
A homenagem ocorreria na data consagrada ao farmacêutico, dia 20 de janeiro, em jantar no Tourist Parque Hotel ocasião em que seria entregue a Paulo Weishappel Mascarenhas, o título Sócio Honorário da Região Sul, numa realização da Associação dos Farmacêuticos Químicos Regional Sul.
Paulo Mascarenhas, nasceu em 1909, sendo que após concluir o curso ginasial em 1926, entrou para a Farmácia Doutor Balbino Mascarenhas. Desde aquela data, até 1976, exerceu sua profissão na mesma empresa. Em 1931, prestou exame vestibular, na capital gaúcha, para a Faculdade de Farmácia, cursando até o segundo ano. Em 1934, iniciou, como autodidata, estudos sobre Ouimica, iniciando também, uma série de pesquisas sobre produto químico utilizado em farmácia.
Após três anos seus trabalhos foram publicados, principalmente artigos sobre pH, que foram destaque em jornais e revistas de estados brasileiros e do exterior.
Artigos publicados
Ainda em 1937 deu início a fabricação de aparelhos para análise do “pH”, chamado “Colomion Khautz”. Em 1969, participou, no Rio de Janeiro, de curso de pós-graduação sobre Espectrofotometria. Pesquisou e desenvolveu vários métodos de doseamento de substâncias químicas. De seus artigos publicados relaciona-se os seguintes: A importância do pH nas preparações de Digitales; PH da água destilada; Aplicações práticas do pH e suas verificações colorimétricas; O pH das soluções de (publicado em Lisboa) apresentado em sessão Hipossulfito de sódio, entre outros.
Acervo: Bibliotheca Pública Pelotense