A chegada de uma SAF costuma mexer com a imaginação do torcedor. A palavra investimento, muitas vezes, vira atalho para pensar em contratações de impacto. Na entrevista coletiva da última semana, no Bento Freitas, Emerson Rosa tentou puxar essa conversa para um plano mais realista, com foco no momento do Brasil e em prioridades que não aparecem dentro das quatro linhas.
Quando foi provocado sobre a chance de buscar nomes de Série B, Emerson evitou prometer “estrelas” e defendeu que a régua precisa ser o cenário atual do clube. “Nós temos que entender onde nós estamos hoje e em função disso fazer os investimentos adequados”, respondeu. Ele citou o título da Copa FGF como exemplo de que resultado não vem só de nome e de folha. “O futebol é trabalho”, disse, ao apontar organização e ambiente como fatores que pesaram na campanha.
A ideia de investimento com pé no chão também apareceu quando ele descreveu o perfil de atleta que pretende buscar. Emerson falou em competitividade, mas reforçou que o comportamento entra no pacote. “É importante o jogador, não é só aquilo que ele faz em campo, mas também o comportamento dele fora de campo”, afirmou. Na avaliação de Emerson, o Xavante exige um perfil de jogador que entenda o que representa vestir a camisa rubro-negra. “A torcida exige e cobra”.
O calendário empurra essa discussão para um prazo menor. O Brasil terá a Série D em maio e encara também a Divisão de Acesso em agosto. Emerson reconheceu que o clube chega a essa virada com urgências, principalmente na montagem do grupo, porque o elenco ficou curto e parte dos atletas já tinha compromissos antes da chegada do consórcio. “Nós estamos lidando com todos esses desafios de jogadores”, disse. Ele citou ainda a manutenção da comissão técnica como sinal de continuidade. “Nós queremos dar continuidade a um trabalho vencedor, que foi assim que nós acabamos o ano de 2025”.
Estrutura
Ao mesmo tempo, o dirigente tentou deixar claro que o projeto da SAF não se resume ao time profissional. Quando o tema passou para estrutura, ele colocou base, CT e patrimônio dentro do mesmo plano, mas sem prometer um prazo. “Trabalhar um pouco de tudo”, resumiu. Sobre o novo centro de treinamento, a mensagem foi direta. “Se pensar num centro de treinamento, não é uma coisa para amanhã”, afirmou, dizendo que as etapas precisam ser calculadas para evitar erros no início.
A discussão sobre melhorias no Bento Freitas e o patrimônio do clube entrou no mesmo raciocínio: avançar em mais de uma frente, mas por etapas, conforme o planejamento permitir. A linha adotada na coletiva foi a de que estrutura e futebol caminham juntos, porque um depende do outro para sustentar o projeto.
Para o torcedor, isso cria uma leitura prática para os próximos meses. Em vez de medir a SAF só pela contratação mais barulhenta, a cobrança tende a cair sobre sinais concretos do plano em 2026: elenco montado a tempo para duas competições, início efetivo do trabalho de base e um caminho definido, com etapas para CT, estádio e patrimônio.
Nesse começo, a primeira sinalização concreta desse “pé no chão” já apareceu na manutenção de peças do trabalho que terminou o ano de 2025 em alta. O Brasil garantiu a permanência do gerente de futebol Hélio Vieira e do técnico Gilson Maciel, além das renovações com os jogadores Otávio, Yuri, Alan e Thiago Henrique, um pacote que ajuda a dar continuidade ao ambiente que rendeu resultado e reduz a necessidade de começar tudo do zero na montagem do elenco para a temporada.
