Economia de 2026 será desafiadora, mas com perspectivas positivas para a Zona Sul

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Economia de 2026 será desafiadora, mas com perspectivas positivas para a Zona Sul

Crescimento econômico brasileiro deverá seguir em ritmo moderado. Ambiente de incerteza é reforçado pelo calendário eleitoral

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Economia de 2026 será desafiadora, mas com perspectivas positivas para a Zona Sul
Estado poderá ter crescimento de 2,7% a 3%, impulsionado pela recuperação do agronegócio. (Foto: Jô Folha)

Depois de um 2025 marcado por juros elevados, impacto climático e retração em segmentos industriais, o ano de 2026 deve manter a economia brasileira em ritmo moderado de crescimento, com mais consumo do que investimento e um ambiente de incerteza reforçado pelo calendário eleitoral. A avaliação é compartilhada por economistas ouvidos pelo Jornal A Hora do Sul que projetam um cenário nacional cauteloso, mas com perspectivas relativamente mais favoráveis para o Rio Grande do Sul; especialmente, para a Zona Sul do Estado.

Cenário Nacional

O economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, avalia que o Brasil encerra 2025 com crescimento próximo de 2,1% e deve avançar cerca de 1,9% em 2026, sustentado principalmente pelo consumo das famílias. “Não é um crescimento ruim, mas ele vem desacelerando ao longo dos trimestres e com uma composição preocupante, baseada muito mais em consumo do que em investimento produtivo”, alerta. Segundo ele, o cenário fiscal pressionado e a política monetária restritiva continuam limitando decisões de longo prazo das empresas.

Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Eduardo Tillmann, o país entra em 2026 com crescimento mais baixo, inflação ainda próxima do teto da meta e juros elevados, mesmo com expectativa de redução gradual da Selic. “O problema central é o risco fiscal. Em ano eleitoral, cresce a incerteza sobre a condução da política econômica, o que pode adiar ou reduzir o ritmo de queda dos juros”, afirma. Para ele, esse ambiente tende a frear investimentos e manter o consumo das famílias em ritmo contido.

Estado pode ter desempenho superior

Apesar do cenário nacional mais cauteloso, os economistas apontam que o Rio Grande do Sul pode apresentar desempenho superior à média brasileira. Gabrielito Menezes, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), projeta crescimento entre 2,7% e 3% para o Estado em 2026, impulsionado principalmente pela recuperação do agronegócio. “O agro tem forte efeito multiplicador na economia regional e deve ser o principal motor da retomada, especialmente na Metade Sul”, observa, destacando a resiliência do setor mesmo diante de juros altos e riscos climáticos.

A Zona Sul, em particular, concentra expectativas positivas ligadas a grandes projetos de infraestrutura e logística. Para Baggio, investimentos no Porto de Rio Grande, no Polo Naval, na possível instalação de uma usina termelétrica a gás e em projetos industriais como a fábrica de celulose em Barra do Ribeiro representam uma janela de oportunidade para a região. “São investimentos que geram demanda industrial, empregos e renda, mas que precisam ser acompanhados de melhorias em logística, ferrovias, hidrovias e formação de mão de obra”, ressalta.

O economista da Associação Comercial de Pelotas, João Carlos Madail, também vê a região preparada para receber novos empreendimentos. Segundo ele, Pelotas reúne vantagens como energia, água, mão de obra qualificada e proximidade com o Porto de Rio Grande. “Com a redução esperada da Selic e a ampliação da renda disponível, especialmente com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o comércio, os serviços e a construção civil devem ganhar fôlego em 2026”, avalia.

No mercado de trabalho, as projeções indicam estabilidade, com crescimento mais lento das contratações, mas sem deterioração significativa dos indicadores. Tillmann explica que o emprego tende a acompanhar o ritmo do PIB, enquanto Menezes aponta oportunidades concentradas em setores ligados à reconstrução, logística, tecnologia e infraestrutura, com crescente demanda por mão de obra qualificada.

Alertas para 2026

Entre os principais alertas para 2026, os economistas são unânimes ao citar o risco fiscal e os eventos climáticos extremos. O endividamento público elevado, associado à ampliação de gastos em ano eleitoral, pode manter a economia sob pressão. Já no campo ambiental, enchentes, excesso de chuvas ou estiagens continuam sendo uma ameaça direta ao agronegócio e à infraestrutura do Estado.

Ainda assim, a avaliação geral é de que a Zona Sul tem condições de atravessar 2026 com desempenho relativamente melhor do que o restante do país, desde que consiga transformar projetos anunciados em obras efetivas e aproveite o momento para fortalecer sua base produtiva. “Será um ano de transição”, resume Menezes. Para Baggio, a palavra que deve definir 2026 é ‘desafio’.

O que dizem os economistas sobre 2026

  • Giovani Baggio – economista-chefe do Sistema Fiergs

Avalia que 2026 será um ano desafiador, marcado por volatilidade eleitoral, juros ainda elevados e crescimento sustentado mais pelo consumo do que por investimentos. Alerta para os impactos prolongados do tarifaço dos Estados Unidos sobre a indústria gaúcha e vê nos investimentos em infraestrutura, logística e no Porto de Rio Grande uma oportunidade para a Zona Sul ganhar fôlego econômico.

  • Eduardo Tillmann – professor de Economia da Furg

Projeta desaceleração do crescimento nacional, com PIB abaixo de 2%, inflação próxima do teto da meta e Selic ainda alta, mesmo com cortes graduais. Destaca o risco fiscal em ano eleitoral como principal fator de incerteza e aponta que os investimentos portuários e a possível redução de custos logísticos podem gerar efeitos positivos para a economia da Zona Sul.

  • Gabrielito Menezes – economista e professor da UFPel

Projeta crescimento acima da média nacional para o Rio Grande do Sul em 2026, puxado pelo agronegócio, com efeito multiplicador sobre a economia regional. Enxerga 2026 como um ano de transição, com recuperação gradual, ainda condicionada aos juros altos, à incerteza eleitoral e aos riscos climáticos, mas com boas perspectivas a partir de investimentos estruturantes na Metade Sul.

  • João Carlos Madail – economista da Associação Comercial de Pelotas

Tem visão mais otimista para a região. Acredita que a redução dos juros, a ampliação da renda disponível com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e que os investimentos no Porto de Rio Grande e no Polo Naval devem impulsionar o comércio, os serviços e a construção civil. Destaca Pelotas como polo preparado para receber novos negócios, mas alerta para a necessidade de melhorias logísticas.

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