Atenção redobrada

Editorial

Atenção redobrada

Atenção redobrada
(Foto: Jô Folha)

É uma conta simples: afrouxa daqui, aperta dali. O Brasil fez uma escolha e aliviou as regras para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Os argumentos são muitos e, de fato, válidos: o processo era caro e o índice de reprovação altíssimo. Criou-se, com o tempo, um verdadeiro ranço de todo o sistema. Agora, o país, através do Ministério dos Transportes, aposta em afrouxamento de regras, barateamento e ampliação da inclusão. Se o resultado vai ser positivo, o tempo dirá.

O que é certo é que aumentará o número de pessoas dirigindo e, por consequência, é preciso redobrar a atenção dada ao trânsito. A prefeitura de Pelotas divulgou na última semana os números celebrando a redução em 49% dos sinistros fatais em um período de uma década. Foram 59 acidentes que resultaram em uma ou mais mortes em 2015, contra 30 no ano passado, considerando vias municipais e federais. Um sinal extremamente positivo e que precisa ser cultivado para que a tendência de redução se mantenha. E isso se faz com conscientização e educação.

Há poucos dias vivemos uma tragédia coletiva na região, com a morte de 11 pessoas em um acidente. E, ao que tudo indica, a imprudência fez parte da equação que levou ao ocorrido. Fato é que as pessoas, por mais que sejam habilitadas, mesmo na regra antiga, mais rígida, ainda se comportam de maneira meio absurda no trânsito. Basta andar poucos metros para ver alguém dobrando sem dar pisca, andando sem cinto, furando sinal, não parando na faixa… sem contar, claro, o uso de celular ao volante, o grande responsável pela maior parte das ocorrências atualmente.

Diante de um afrouxamento geral nas regras para obter e renovar a CNH, é preciso investir, como contrapartida, em fiscalização e orientação de trânsito. Não é criar a tal “indústria da multa”, mas sim fomentar que órgãos de segurança atuem na repressão ao crime na direção. Se o temor com a multa for a ferramenta mais efetiva para isso – e parece ser –, paciência. Toda e qualquer ação tem que ser pensada em preservar a vida, isso vale mais do que tudo.

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