Há 100 anos
O pintor Libindo Ferrás visitou Pelotas pela primeira vez, nas primeiras semanas de janeiro de 1926. A passagem do gaúcho pela cidade foi registrada nas páginas da Illustração Pelotense. Por aqueles dias, o artista estreou uma exposição individual na Bibliotheca Pública Pelotense.
A exposição na BPP foi bem-sucedida e o artista foi chamado por Aristides Bittencourt, na Illustração Pelotense, de “um dos mais fortes temperamentos estéticos da nossa pintura. Alma de artista e coração de poeta, Libindo Ferrás é o orgulho da nossa gente e da nossa terra”.
De acordo com a revista foram exibidas 30 telas colocadas sobre um fundo marrom. “Sentimo-nos transportados para o mundo subjetivo do sonho e vivemos, alguns momentos, na intimidade da alma iluminada do grande artista”, escreveu o crítico.
Fruto da elite
Libindo Ferrás nasceu em Porto Alegre em 13 de setembro de 1877, em tradicionais famílias gaúchas. Era filho de Diogo Alves Ferrás, general de brigada e engenheiro militar, e Libinda Martins. Seu pai era filho de um juiz e latifundiário de Cachoeira do Sul, e sua mãe era neta do Visconde do Serro Azul, militar e uma das maiores fortunas do estado.
Desde muito jovem interessou-se pelas artes. Recebeu lições de Ricardo Albertazzi, mas inicialmente dedicou-se à pintura em caráter amador. Inaugurou sua carreira expondo no início de 1896 pequenas telas na vitrine da casa comercial Ao Preço Fixo.
Em 1897 estava no Rio de Janeiro, onde deveria prosseguir seu curso na Escola Politécnica, mas antes de completar um ano abandonou as aulas e embarcou para a Itália. Cerca de dois anos depois, em 1899, no retorno ao Rio, começou sua vida profissional como funcionário dos Telégrafos, nomeado para Porto Alegre. Em julho voltou ao Rio, deixando algumas obras para o Salão Nacional, e sendo chamado de “distinto paisagista”, autor de “valiosas telas”. Em 1902 ilustrou a capa de Via Sacra, o primeiro livro de Marcelo Gama.
Em 1908 foi convidado pelo presidente do estado Carlos Barbosa, natural de Pelotas, mas que construiu sua vida em Jaguarão, para participar da fundação do Instituto de Belas Artes (IBA). Em 1909 foi fundado no IBA um Conservatório de Música, e em 1910, por iniciativa de Libindo Ferrás, foi criada no Instituto uma Escola de Arte. O artista foi no mesmo ato indicado para os cargos de primeiro diretor e professor da Escola.
Academicismo
Libindo Ferrás morreu em 9 de agosto de 1951, no Rio de Janeiro, e deixou grande quantidade de obras, principalmente na técnica do óleo e na temática da paisagem. O meio em que nasceu e atuou e a sua formação artística e intelectual, determinaram suas ligações ideológicas. Ferrás ajudou a perpetuar uma linhagem estética para a pintura gaúcha alinhada ao academismo, um programa conservador que era favorecido pelo governo e pelas elites. Essa tendência permaneceria por muitos anos no cerne da academia gaúcha, somente em meados do século 20, com algumas décadas de atraso, essa perspectiva começou a ser alterada com a chegada do modernismo.

Legado marcado pela pintura acadêmica. (Foto: Reprodução)
Fontes: revista Illustração Pelotense; wikipedia.org
Há 50 anos
Engenheiro alerta para a necessidade de proteção ao ecossistema do Taim
“Se continuar o extermínio com essa intensidade, em três anos quase nada restará no Taim”, alertava o engenheiro agrônomo do Departamento da Lagoa Mirim, em Pelotas, José Guilherme Schenatto sobre o possível desastre ecológico, que poderia ocorrer na região do extremo Sul do Estado. A fala foi registrada pela imprensa pelotense em janeiro de 1976. Na época, a promessa da Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema) era de que seria instalada a primeira Estação Ecológica no banhado, nos próximos meses.
Naquele momento a preocupação recaia sobre cerca de 25 mil hectares na restinga situada entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, um ecossistema pantanoso com vegetação e fauna típicas. Havia sido tentando uma drenagem, posteriormente, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento considerou as terras irrecuperáveis para a agricultura.
Fundação
A Estação Ecológica do Taim só foi criada em 21 de junho de 1986, portanto há quase 40 anos. Entretanto, em 1978 o governo Federal declarou a área de 33 mil hectares de utilidade pública.
Localizada entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, com acesso pela BR-741, a área da Estação Ecológica, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), abrange parte dos municípios do Rio Grande e de Santa Vitória do Palmar.
Fauna e flora
A reserva é casa de pelo menos 30 espécies diferentes de mamíferos e 250 aves, onde destacam-se animais como joão-de-barro, biguá, tachã, maçarico-preto, garça-moura, cabeça-seca, socozinho, ximango, martim-pescador, cisne-de-pescoço-preto, coscoroba, marrecão e marreca-piadeira. Entre os bichos de maior porte estão: tartaruga, capivara, ratão-do-banhado, cachorro do mato, lontra, tuco-tuco e jacaré-de-papo-amarelo.
A flora é bastante diversa, apresentando figueiras, corticeiras, quaresmas, orquídeas, bromélias, cactos, juncos e aguapés.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Governo Federal; wikipedia.org