Após uma temporada de feitos inéditos, com a participação na Liga Feminina de Futsal (LFF) e a conquista da Série Ouro da Federação Gaúcha de Futsal (FGFS), o 2026 da Malgi será de calendário ainda mais cheio em nível profissional e de provável retomada das categorias de base em âmbito competitivo.
A equipe pelotense disputará pela segunda vez consecutiva como convidada a LFF, principal campeonato do país. Com o título estadual, garantiu o direito de marcar presença na Taça Brasil, organizada pela Confederação Brasileira de Futsal (CBFS). O maior torneio eliminatório do futsal feminino nacional vai ocorrer entre 24 e 30 de agosto.
A temporada da Malgi ainda pode ter os estaduais da FGFS (Série Ouro) e da Liga Gaúcha. Há um convite pendente para entrar na Liga Sul-Riograndense. A associação também recebeu um chamado para estar novamente no Torneio da Amizade, em Angola, onde conquistou o título em dezembro de 2024.
Quatro atletas deixaram o elenco: Nati Moura (rumo ao Londrina), Tamires, Ana Lustosa e Ivana. Conforme o técnico Maurício Giusti, algumas renovações de contrato estão fechadas e devem ser anunciadas em breve, assim como a chegada de caras novas para 2026. A última partida da Malgi foi a da taça da Série Ouro, contra a Celemaster, em 6 de dezembro.
Situação financeira
Em entrevista à Rádio Pelotense 99,5 FM, Giusti enfatiza que, quanto maior o patamar do clube, maiores as dificuldades para manter o nível de competitividade. “A cada ano que passa, pelo volume que a Malgi apresenta, e pelo calendário, o financeiro fica cada vez mais pesado”, resume.
A associação conta com dois caminhos principais para captação de recursos: aporte direto, por meio de parcerias costuradas com empresas; e aporte via Imposto de Renda (IR), por meio da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) do governo federal, política pública que viabiliza a destinação de parte do IR de pessoas físicas ou jurídicas para projetos esportivos cadastrados após aprovação – caso da Malgi.
Pessoas físicas podem enviar até 9% do IR para o destino escolhido; pessoas jurídicas, até 3%. Em seu portal da transparência, a Malgi detalha os investimentos. Giusti explica que a cada recurso público precisa ser encaminhado para fins específicos, ao contrário do valor captado via parcerias diretas.
“Se fizermos um projeto que vamos investir em transporte, e a Malgi tem uma necessidade de comprar, não posso comprar bolas com esse dinheiro. A gente vai ter que achar outra forma de comprar bolas, e aí entra o aporte direto, que é um investimento do caixa da empresa”, afirma.
Nesse contexto, o coordenador vê uma “disputa desequilibrada” em comparação às potências nacionais. “A cada ano que passa, as equipes investem mais. As de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, agora Goiás também, têm muito recurso público, muito aporte através de política pública, então o recurso sai do governo do Estado e das cidades direto para os clubes. E é isso que a gente não tem aqui em Pelotas, nenhum aporte de recurso público”, argumenta.
Projeto social e volta da base
A Associação Malgi de Esportes conduz também um projeto social. Podem participar crianças de sete a 12 anos – meninas e meninos – matriculados em escolas das redes municipal e estadual, com gratuidade para aulas de futsal.
Para 2026, uma provável novidade é a retomada da participação em competições de base femininas nas categorias sub-11, 13, 15, 17 e 20. A base masculina, que em 2025 disputou torneios estaduais na categoria sub-15, pode retornar em outras categorias – 13 ou 17 são as mais prováveis no momento.
