Recentemente fui apresentada a uma teoria curiosa que descrevia como a grande maioria dos homens seria homoafetiva. Quando li o texto, tive que reler algumas vezes para conferir se estava correto. A matéria explicava que, obviamente, nem todos os homens são homossexuais, mas que a extensa maioria era homoafetiva, significando que só admirava, demonstrava interesse e curiosidade por aquilo que vinha de outros homens. Livros, filmes, trabalhos e hobbies só teriam valor quando associados à masculinidade.
Me peguei pensando em alguns exemplos simples do cotidiano. A sequência de filmes de O Senhor dos Anéis, Homem-Aranha ou Harry Potter, por exemplo, é extremamente valorizada. Concretizou atores. Em uma roda, ninguém ri quando se tem esse tipo de filme como preferido.
Agora, experimente explicar que seu filme preferido é Crepúsculo. Estamos partindo do mesmo princípio: ficção, pessoas que se transformam em animais ou voam – sim, eu nunca vi nenhum dos filmes “de menino”. E sim, Crepúsculo é um dos meus filmes preferidos.
Mas, ignorando o meu interesse pessoal no tópico, a teoria me ganhou com uma simples pergunta direcionada a um homem:
– Cite três mulheres que você admira.
E não, não pode responder “mãe” ou “namorada”. Três mulheres que você admira pelo seu trabalho, valores, dedicação ou arte. A dificuldade de encontrar homens que respondiam a essa pergunta era tremenda. Uma longa pausa antes de falar os nomes de mulheres extremamente conhecidas – por obras feitas por e para homens.
Peço às minhas leitoras que façam esse exercício com os homens à sua volta. Eu fiz e já antecipo a decepção da era em que nos encontramos. Mas gostaria de finalizar o texto com mais uma pergunta:
– Cite três homens não homoafetivos.