Zelmute Marten (PT), prefeito de São Lourenço do Sul, revelou na Rádio Pelotense um movimento de bastidor que, quando se der certo, pode virar um efeito bem concreto na estrada: ele e outros prefeitos da região indicaram um pelotense, Marcelo Alves Teixeira, para assumir a Diretoria Administrativa e Financeira do Dnit.
O documento, segundo Zelmute, foi enviado ao presidente Lula com as assinaturas dele, dos prefeitos Fernando Marroni, de Pelotas, de Darlene Pereira, de Rio Grande, de Luiz Fernando Mainardi, de Bagé, e de Fernando Campani, de Hulha Negra, todos do PT. O objetivo é colocar em um cargo-chave alguém do quadro do órgão, servidor de carreira, que já conhece a máquina por dentro e, principalmente, conhece por fora o que a BR-116 virou para o Sul.
Zelmute também justificou por que os prefeitos miraram justamente a cadeira que hoje está com Marcos de Brito Campos Júnior. Marcos foi aprovado pelo Senado em 2023 para comandar a Diretoria de Administração e Finanças do Dnit. Porém, nas últimas semanas, foi apontado por reportagens de jornais do centro do país como “peça central na fraude do INSS”. Assim, ele foi alvo de medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, além de restrições de contato e afastamento de funções.
Aí entra o ponto que interessa para quem vive entre Pelotas, São Lourenço, Rio Grande e o resto da Zona Sul: a BR-116 não é só uma rodovia. É trabalho, caminhão, ônibus, ambulância, custo de frete e, principalmente, o risco de acidente. E, no meio disso, a duplicação segue como a grande obra que parece sempre estar “quase”. Um nome daqui, com trânsito técnico e político, pode ter mais condições de empurrar decisões e cobranças do que alguém que enxerga o trecho só por relatório.
E tem outro debate que Zelmute amarrou na mesma fala: o futuro da concessão. Ele defendeu a manutenção do modelo com a Ecovias Sul, mas com redução de tarifa e um caminho de transição até a licitação. Repetiu também que, se houver saída da concessionária e o Dnit tiver que assumir, cresce a responsabilidade prática dos municípios na resposta a acidentes, algo que hoje já pesa e pode pesar mais.
No fundo, a indicação de Marcelo Alves Teixeira, se avançar, não resolve sozinha a BR-116, mas pode mexer em uma engrenagem que costuma ser decisiva. Quem está na mesa onde se decide o dinheiro, a prioridade e a fiscalização tem maior poder. Contrato andando, obra com ritmo, transparência na execução, conclusão duplicação saindo do “em mobilização” para o “em entrega” e seguranças nas vias é tudo o que a Zona Sul precisa.
Termômetro da Câmara
Michel Promove (PP), em entrevista à Pelotense, tratou o debate sobre empenho e pagamento das emendas, além das respostas a pedidos de informação como “motivo pequeno” para falar em cassação. Só que, na última sessão, foi exatamente esse assunto que a oposição mais martelou. E ele, em diferentes momentos, também entrou na cobrança. Dá para resumir assim: na entrevista, minimizou. No plenário, o tema virou fato político.
Em política, às vezes o problema não é a emenda. É a palavra. Quando o Executivo diz que “pagou” e a entidade não vê o dinheiro cair, quem vira balcão de cobrança é o vereador.
Mas o fato é que o impeachment, hoje, é mais assunto de microfone do que protocolo na mesa. Vejam bem, eu disse hoje. Ainda está cedo. Mas a palavra, quando aparece, já mexe com o bastidor. Porque antes de virar voto, vira caminho, e o caminho passa pelo presidente da Câmara.
Promove chegou à presidência vendendo “independência” do Legislativo. E independência, na prática, não é discurso puro, é posição, demonstração de força e composições nas relações. A reta final do ano passado mostrou como esse jogo costuma funcionar: houve ruído e ruptura com o governo e, depois, gestos que aliados leram como recado, como o rebaixamento do indicado dele na estrutura ligada ao Desenvolvimento Rural.
O ponto aqui não é prever queda de governo. É explicar o cenário. Se a oposição insistir na tese do impeachment, viável ou não, alguém precisa dar forma institucional a isso. Gritaria no plenário não ajuda em nada. E hoje quem segura esse volante é Michel Promove. Por isso, mais do que a palavra “impeachment”, a cidade deve observar a resposta detalhada sobre o que foi pago e o que ficou só no empenho, e o quanto a independência anunciada será colocada em prática quando a pressão subir.
Réveillon estendido
Se vocês achavam que a ressaca institucional de 1º de janeiro era inevitável, o calendário decidiu dar uma colher de chá. A partir de 2027, presidente e vice só tomam posse em 5 de janeiro, enquanto governadores e vices no dia 6. A mudança já estava contratada desde 2021, quando foi promulgada a Emenda Constitucional 111. Na prática, a virada segue com fogos, ceia e promessas, só que a faixa presidencial e as faixas estaduais entram em cena depois, com tempo extra para organizar a transição.