Pelotas investe em capacitação da rede de apoio a vítimas de violência

medidas

Pelotas investe em capacitação da rede de apoio a vítimas de violência

Convênio com o Ministério das Mulheres vai capacitar servidores e criar protocolo municipal de atendimento

Por

Pelotas investe em capacitação da rede de apoio a vítimas de violência
Município registrou 30 emissões de medidas protetivas nos primeiros quatro dias do ano (Foto: Jô Folha)

A prefeitura de Pelotas deu mais um passo na ampliação da rede de apoio a mulheres vítimas de violência. O município firmou um convênio com o Ministério das Mulheres para promover a capacitação de profissionais da rede municipal voltada à identificação, ao atendimento e ao encaminhamento das vítimas. A medida surge como um reforço diante do aumento no número de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) já registrado no início do ano – 30 em apenas quatro dias.

A iniciativa tem como foco o atendimento integral, qualificado e humanizado às mulheres. Para isso, equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e das escolas municipais serão capacitadas em escuta ativa e na aplicação de protocolos de encaminhamento à rede de proteção.

De acordo com a secretária da Mulher, Marielda Medeiros, a formação mira a construção de um protocolo municipal de atendimento, elaborado a partir das experiências vivenciadas pela pasta, especialmente de casos em que mulheres procuram os serviços públicos e não recebem o acolhimento adequado. “Isso é reflexo do preconceito e do machismo ainda presentes na sociedade, que acabam culpabilizando a mulher pela violência sofrida”, afirma.

Neste primeiro momento, a capacitação não incluirá as equipes médicas, sendo direcionada aos profissionais que atuam no atendimento ao público. A secretária também defende a inclusão dos professores no processo formativo. “Muitas vezes, as próprias crianças relatam a violência sofrida pelas mães ou aquilo que vivenciam em casa. A escola pode atuar no encaminhamento desses casos”, explica.

Marielda reforça a importância de modificar a mentalidade da sociedade, especialmente entre os profissionais que lidam diretamente com a população. “É fundamental que a sociedade e os trabalhadores compreendam o que é a violência contra a mulher e, principalmente, saibam acolher quem chega pedindo ajuda”, destaca.

O convênio prevê o repasse de R$ 300 mil em 2026, com contrapartida municipal de R$ 27.816. A publicação do edital para a definição da entidade responsável pela capacitação deve ocorrer até sexta-feira. Após a seleção, a Secretaria da Mulher irá definir o cronograma das formações junto às UBSs e à Secretaria Municipal de Educação.

Violência em Pelotas

Nos primeiros quatro dias do ano, Pelotas registrou 30 Medidas Protetivas de Urgência (MPU), o que equivale a 7,5 solicitações por dia, ou uma a cada 3,2 horas. O número supera a média registrada em 2025, que foi de 5,6 MPUs por dia, totalizando 2.048 encaminhamentos ao longo do ano. Atualmente, 907 medidas que restringem a aproximação de agressores às vítimas seguem em vigor na Vara da Violência Doméstica.

Além da violência física, a secretária da Mulher chama atenção para outras formas de agressão, como a psicológica, patrimonial e vicária – quando os agressores utilizam os filhos para atingir ou se vingar das mulheres.

Segundo ela, a violência física e psicológica é mais recorrente entre mulheres jovens, enquanto a patrimonial aparece com maior frequência entre pessoas idosas. Muitos casos, ainda conforme a secretária, estão associados ao uso abusivo de álcool e outras substâncias.

Em Pelotas, mulheres vítimas de violência são encaminhadas ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cram), que realiza atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na rua Dom Pedro II, nº 813.

Acompanhe
nossas
redes sociais