Há 161 anos
Quem hoje percorre a rua Voluntários da Pátria, uma das principais vias do centro de Pelotas, talvez não se dê conta de que o nome carrega uma das mais fortes referências ao patriotismo do século 19 e à participação local na Guerra do Paraguai. A denominação é uma homenagem direta aos pelotenses que atenderam ao chamado do Império e partiram para o maior conflito armado da história da América do Sul.
Projetada em 1815, no primeiro loteamento urbano da futura cidade, a rua surgiu nos terrenos do capitão-mor Antônio dos Anjos. Segundo o historiador Mário Osorio Magalhães, na obra Os passeios da cidade antiga, tratava-se da penúltima transversal que, no sentido sul, fechava o traçado da primitiva freguesia. Inicialmente, era conhecida como rua do João Pedro ou rua da Horta, possivelmente uma referência ao proprietário do terreno cultivado na área.
O nome atual foi oficializado décadas depois, em reconhecimento aos 139 voluntários pelotenses que, em 4 de dezembro de 1865, colocaram-se à disposição do governo imperial para combater as tropas de Solano López. Eles integraram os chamados “Voluntários da Pátria”, unidades militares criadas pelo Decreto nº 3.371, de 7 de janeiro de 1865, assinado por Dom Pedro II. Sem recursos bélicos suficientes e com um Exército reduzido, o Império apelou ao patriotismo da população para reforçar as forças brasileiras na Guerra do Paraguai, travada entre 1864 e 1870.
João Pessoa
A memória desse gesto coletivo quase foi alterada em 1930, quando surgiu a proposta de rebatizar a rua com o nome João Pessoa, em homenagem ao governador da Paraíba assassinado em julho daquele ano e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas. A ideia gerou polêmica e mobilizou a opinião pública. Em cartas enviadas aos jornais, moradores defenderam a permanência do nome Voluntários da Pátria, lembrando que a rua abrigara o aquartelamento dos combatentes locais. “Esse é o passado, que só merece veneração”, escreveu um leitor, sugerindo que João Pessoa fosse lembrado em outra via da cidade.
Outra rua
A mudança não prosperou. Assim, a rua Voluntários da Pátria segue como um marco urbano e simbólico de Pelotas, preservando na paisagem cotidiana a lembrança dos homens que, convocados pela história, deixaram a cidade rumo à guerra, um episódio que ajudou a moldar a identidade nacional e permanece inscrito na memória local.
João Pessoa foi homenageado, posteriormente, com outra rua, com sentido longitudinal, entre a José do Patrocínio e a Bento Martins. A via foi projetada no final da década de 1860 pelo engenheiro Romualdo de Abreu e Silva, para a chamada região da Várzea, região baixa e alagadiça.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; obra Os passeios da cidade antiga, do historiador Mario Osorio Magalhães
Há 50 anos
Dirigentes anunciam jogo do Fluminense contra um selecionado de atletas de Pelotas

Coronel Poeta, Paulo Gastal e Sidney Gomes (Foto: Reprodução)
Os presidentes de dois clubes de futebol de Pelotas anunciaram a vinda do time do Fluminense Football Club, do Rio de Janeiro, a Pelotas no dia 28 de janeiro de 1976. A equipe carioca viria para um jogo promovido pela diretoria do Pelotas e do Farroupilha. O objetivo era qualificar os times locais e manter a comunidade motivada entorno do futebol.
Os presidentes Sidney Gomes, do Pelotas, e Coronel Ewaldo Poeta, do Farroupilha, juntos com o diretor de futebol, Paulo Gastal, também do Pelotas, do vice-presidente Farrapo, José Cruz e Souza, contaram a novidade à imprensa. O acerto com o presidente do Fluminense, Francisco Horta, ocorreu em Caxias do Sul, durante o jogo decisivo da Copa Governador do Estado.
Para levar mais torcedores ao estádio, os dirigentes fizeram apelo à direção do Centro das Indústrias de Pelotas para que intercedesse junto às indústrias filiadas para que encerrasse suas atividades por volta das 17h, no dia do jogo. O mesmo pedido seria feito ao, na época, Clube de Diretores Lojistas, atual Câmara de Dirigentes Lojistas.
No Estádio da Bento
O jogo seria realizado no estádio do Pelotas, por ser mais central, com início previsto para as 17h30min. O treinador do combinado Pelotas-Farroupilha seria escolhido em comum acordo entre os técnicos Bento Castelã e Ubirajara Torres. Além das despesas e um ônibus para conduzir a deleção de 25 pessoas, os times locais pagariam ao Fluminense 100 mil cruzeiros para o jogo de exibição.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense