A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) estão debatendo a criação do Observatório do Território da Lagoa dos Patos. A ação representa um marco na relação com as comunidades pesqueiras da região e busca fortalecer o compromisso da universidade com o território, ampliando o diálogo direto com pescadoras e pescadores artesanais.
De acordo com o vice-reitor da Furg, Ednei Primel, a iniciativa reforça as relações interinstitucionais da Furg, ao aproximar a instituição tanto do MPA quanto da comunidade pesqueira. “A participação da universidade nesse projeto aprimora as suas relações e o seu compromisso com o território em que se insere, sobretudo na troca recíproca de conhecimentos e saberes”, comentou o vice-reitor.
O coordenador-geral de Gestão Participativa Continental do Ministério da Pesca e Aquicultura, Cristiano Quaresma – também professor do Instituto de Ciências Humanas e da Informação (ICHI), destaca que essa é uma ação que se desdobra a partir de outra iniciativa da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal, para apoiar comunidades pesqueiras da Lagoa dos Patos na construção de um protocolo de consulta. “Esse é um instrumento que garante que as comunidades sejam ouvidas sempre que um projeto de desenvolvimento vai ser instalado no seu território. Essa ação, até então inédita, envolve 48 comunidades, o que a coloca como uma das maiores experiências do Brasil nesse sentido”, contextualiza Quaresma.
Após a conclusão do protocolo, no início de 2025, houve, por parte das comunidades participantes um pedido ao MPA para a continuidade desse processo, culminando na constituição de um observatório da Lagoa dos Patos.
Sobre o Observatório
Com o objetivo principal de apoiar pescadores, pescadoras e suas comunidades na organização social, no fortalecimento para construção e avaliação de políticas públicas para o fortalecimento territorial. De acordo com o secretário, a ideia do observatório é gerenciar propostas de fortalecimento da inclusão produtiva, em especial de jovens e de mulheres, em questões como o ordenamento pesqueiro, adaptado para a região e considerando aspectos culturais desse território.
“Por meio dessa atuação, há a valorização dessas comunidades e, a partir disso, a intenção é que se tenha uma nova forma de tratamento dos recursos das comunidades pesqueiras, com maior protagonismo na política social do nosso Estado, especialmente considerando que a Lagoa dos Patos faz parte de uma região muito abrangente, envolvendo diversos municípios que fazem uso dos seus recursos pesqueiros”, completa Quaresma.
O Observatório do Território da Lagoa dos Patos deverá integrar ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação, potencializando as atividades pesqueiras locais e promovendo o desenvolvimento sustentável da região. A ação une atores da instituição com notório saber sobre a área, como o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão (R)Existências Ambientais e Territoriais (Reat).
