Preto de Sapato lança single Pra Florir e projeta novidades

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Preto de Sapato lança single Pra Florir e projeta novidades

Nova composição da banda pelotense mistura samba ao sul, com pitadas de reggae e tambores ritualísticos

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Preto de Sapato lança single Pra Florir e projeta novidades
Grupo tem mais de uma década de trajetória (Foto: Divulgação)

A banda Preto de Sapato acaba de lançar o single Pra Florir, disponível nas principais plataformas de streaming, marcando um novo capítulo de um projeto que une música, memória e afirmação da cultura negra gaúcha. A canção inaugura uma série de lançamentos previstos para este ano e antecipa o próximo álbum do grupo, que vem sendo construído a partir de uma trajetória iniciada há mais de uma década na música autoral pelotense.

À frente da Preto de Sapato estão o compositor e cantor Eduardo Freda e o percussionista e produtor musical Davi Batuka. A parceria entre os dois começou ainda nos anos 2000 e ganhou projeção com a banda Quintal de Sinhá, que lançou os EPs Raízes e Coração (2011) e Roda do Tempo (2017), além de circular por festivais como o WebFestValda, no Circo Voador (RJ), e eventos culturais em Pelotas. Com identidade sonora consolidada, o Quintal de Sinhá se tornou a base criativa do que viria a ser a Preto de Sapato.

Em 2021, o projeto ganhou nova forma ao ser lançado como um espetáculo financiado pela Fundação Palmares. Com duração de 120 minutos, a montagem reuniu músicos e artistas da cena negra do Rio Grande do Sul e propôs uma imersão na história e nos protagonismos do povo negro, mesclando música, dança performativa e contação de histórias. Entre os destaques estava a participação da cantora Êmily Passarinho, que hoje integra oficialmente a banda como voz, performance e produtora cultural.

Ampliando horizontes

Desde então, a Preto de Sapato vem ampliando seus horizontes. O grupo integrou a programação do Festival Cabobu (Natura Musical) e do Festival Internacional Sesc de Música, em 2025, no espetáculo Ecos das Charqueadas: Entre Ritmos e Raízes. Atualmente, a formação conta ainda com Roger Lemes (guitarra), Gabriel Percussamba (percussão) e Felipe Mini Ribeiro (contrabaixo), aprofundando uma sonoridade que transita entre samba, world music, beats eletrônicos e tambores de matriz africana, com destaque para o Sopapo, patrimônio da cultura pelotense.

O single Pra Florir sintetiza esse novo momento. Com letra de Eduardo Freda, o samba soul tem levada groove, pitadas de reggae e fala de recomeços, afeto e esperança, sem abrir mão da força rítmica afro-brasileira. “É uma música que começa no samba, dialoga com reggae e elementos eletrônicos e desemboca numa batida mais afro, quase ritualística”, explica Davi Batuka, que assina a produção pelo selo Batuca Records.

Do orgânico ao eletrônico

Batuka diz que o grupo defende “canções naturais pretas de Pelotas”. “A gente começou lá com Raízes e Coração. Durante esse processo de transição foi mudando alguns componentes da banda. A nossa visão sobre a música também”, relembra o percussionista.

Se no primeiro EP da Quintal de Sinhá, o som era mais orgânico, o segundo buscou outra dimensão, com o aporte de elementos eletrônicos. “E agora, nesse terceiro, a gente se firma com essas músicas que trazem também composições que denunciam, que falam sobre povo negro, sobre amor. E essa (Pra florir) em específico que é a música que a gente lançou”, comenta.

A letra é do Eduardo Freda, que, geralmente, leva a composição com melodia pronta para Batuka finalizar. “Ele faz a letra no violão, traz pra mim, eu como sou produtor fonográfico, começo a criar coisas na música, elementos. Depois passamos pro resto dos músicos e trabalhamos junto essa construção autoral, que é uma coisa tão importante, que é uma identidade musical de cada”, descreve.

Força do tambor

Sobre o que vem após, Pra Florir, Batuka diz que o grupo tem outras canções gravadas, mas que vão chegar aos poucos, como manda o “novo protocolo de distribuição”da produção musical. Mas garante que em breve vai ter vídeo novo: “Tem Porongada, que é uma música interessante que a gente vai fazer um videoclipe. Em breve. Só com os negão. Quero botar 40 negão com 40 tambores para tocar lá na Marambaia, no outro lado do rio”, falar ao confirmar a aposta na força dos tambores, neste novo projeto.

Com novos singles programados e um álbum em gestação, a Preto de Sapato segue “plantando” suas canções, como sugere o título do lançamento, apostando na maturidade artística e na potência coletiva para seguir florescendo. “A gente tá em atividade, a gente tá no movimento, estamos plantando coisas assim, planejando fazer bastante coisa em 2026″, afirma Davi Batuka.

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