Acidente entre ônibus e carreta deixa 11 mortos na BR-116, em Pelotas

Acidente grave

Acidente entre ônibus e carreta deixa 11 mortos na BR-116, em Pelotas

Informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal

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Atualizado sexta-feira,
02 de Janeiro de 2026 às 23:13

Acidente entre ônibus e carreta deixa 11 mortos na BR-116, em Pelotas
Acidente aconteceu na manhã desta sexta-feira (2). (Foto: Divulgação)

Um grave acidente envolvendo uma carreta carregada com areia e um ônibus de linha deixou 11 pessoas mortas e outras 11 feridas, na manhã desta sexta-feira, às 11h24min, no km 491 da BR-116, em Pelotas, no sentido norte da rodovia, em direção a Camaquã. Cinco pessoas saíram ilesas. O motorista da carreta foi removido ao Pronto Socorro de Pelotas. Já o do ônibus está entre os mortos, assim como o cobrador.

A colisão ocorreu em um trecho de pista simples, onde não há obras em andamento, apenas sinalização de desvio. Conforme apuração da reportagem e informações preliminares das forças de segurança, um terceiro veículo de carga, com pane mecânica, estaria parado sobre a pista no momento do acidente, bloqueando parcialmente o tráfego. Ao tentar desviar do caminhão imobilizado, a carreta que seguia no sentido Pelotas teria invadido a pista contrária, colidindo frontalmente com o ônibus.

O impacto foi violento e provocou o espalhamento da carga de areia, que acabou soterrando parte do coletivo e algumas das vítimas, o que dificultou o trabalho inicial de resgate. Equipes do Instituto-Geral de Perícias (IGP) localizaram mais vítimas ao longo da tarde, durante a remoção dos destroços.


Caminhão tem placa de Pelotas e ônibus pertence à empresa Santa Silvana (Foto: Ecovias Sul)

O ônibus fazia uma linha regular, com paradas ao longo do trajeto, e havia saído de Pelotas por volta das 10h30min, com destino a São Lourenço do Sul. Os feridos foram socorridos por equipes do Samu e da Ecovias Sul e encaminhados a hospitais de Pelotas e da região. Entre os feridos estão passageiros do ônibus e o motorista da carreta.
Equipes de guincho, resgate e inspeção da Ecovias Sul permaneceram mobilizadas ao longo do dia. Por volta das 19h40min os trabalhos de retirada dos veículos começaram, com a rodovia ainda totalmente bloqueada, provocando longos congestionamentos.

Em nota, a prefeitura de São Lourenço do Sul, destino do ônibus, informou que acompanha a ocorrência e está prestando apoio às ações de atendimento às vítimas e familiares. As causas do acidente seguem sendo investigadas.

Atendimento às vítimas

O Pronto-Socorro de Pelotas atendeu 11 vítimas do acidente. Quatro permaneceram internadas na emergência, sendo uma em estado grave, que passava por cirurgia até o fechamento desta edição, e três em estado grave com estabilidade. Outras seis pessoas sofreram ferimentos leves. A reportagem não teve acesso às atualizações de uma vítima atendida.

Feridos foram levados ao Pronto Socorro de Pelotas, onde familiares aguardavam por informações de vítimas (Foto: João Pedro Goulart)

Segundo o hospital, cinco destas vítimas com lesões leves receberam alta após a realização dos exames previstos no protocolo de atendimento ao trauma. Uma pessoa foi encaminhada à traumatologia da Santa Casa de Pelotas, com fratura no braço direito.
Além dos pacientes atendidos, equipes de resgate retiraram pessoas que ficaram presas às ferragens. A última vítima, que foi retirada com vida do local, identificada como Daniela Peglow, estava com a perna presa entre os destroços, e foi encaminhada em seguida ao Pronto-Socorro após o resgate.

Despedida na rodoviária

Em frente ao Pronto-Socorro de Pelotas, familiares das vítimas aguardavam por informações oficiais ao longo da tarde. Entre eles estava Omar Isa, de 48 anos, que relatou à reportagem a perda da mãe no acidente, que já havia sido confirmada pelo irmão. Segundo ele, a idosa de 85 anos ainda permanecia soterrada no local da colisão no momento da entrevista.

Inicialmente, Omar tinha esperança de que a mãe estivesse viva, mas as informações que chegavam do irmão – este presente no local do acidente – não eram boas. “A gente ainda tinha esperança que ela estivesse bem, mas meu irmão falou que as vítimas que eles [socorristas] tinham acesso já foram trazidas para o hospital. Minha mãe não estava na lista”, afirmou.

Visivelmente abalado, Omar contou que havia levado a mãe à rodoviária de Pelotas poucas horas antes do acidente. “Nós estávamos juntos, tomando café da manhã. A gente se despediu, se beijou, se abraçou”, disse. A viagem tinha como destino São Lourenço do Sul.
Segundo ele, a decisão de viajar de ônibus partiu da própria mãe. “Eu ia levar ela de carro, mas ela disse que não queria me atrapalhar. Falou que meu irmão buscaria ela na rodoviária lá. Uma coisa bem de mãe mesmo, sempre protetora”, relatou.

Omar descreveu a mãe como uma mulher ativa e muito querida. “Ela tinha 85 anos, era uma professora aposentada, super ativa, saudável, uma pessoa do bem. Tinha tudo para ir até os 100 anos”, disse. Pouco após embarcar, ela ainda enviou mensagens carinhosas à família.
As filhas de Omar, de 16 e 20 anos, passaram mal ao saber da confirmação do acidente envolvendo a avó e também precisaram de atendimento médico no Pronto-Socorro.

Em meio à dor, Omar disse ainda ter dificuldade em acreditar no que aconteceu. “É uma coisa que eu acredito que vou acordar daqui a pouco e ver que foi um pesadelo. Que nada disso aconteceu”, desabafou.

Pedido de ajuda por mensagem

Também entre os passageiros do ônibus estavam Jaqueline, natural de Santarém, no Pará, e a filha Rita. Jaqueline não resistiu aos ferimentos e morreu após o acidente. A filha sobreviveu e foi encaminhada para atendimento médico.


Veículos precisaram de suporte de escavadeira para não tombar no barranco (Foto: Henrique Risse)

Mãe e filha moravam e trabalhavam em Pelotas há cerca de cinco anos. Rita é comerciária, e Jaqueline atuava como monitora em uma escola no Centro da cidade. As duas viajavam para São Lourenço do Sul, onde pretendiam conhecer a praia de água doce.

Amigo da família, Derci Dias acompanhava a situação no Pronto-Socorro de Pelotas e relatou à reportagem a confirmação da morte de Jaqueline. “Eram conhecidas nossas, lá do Pará, e a mãe da Rita, a Jaqueline, faleceu. A filha dela chegou ao Pronto-Socorro há pouco, bastante machucada. Estamos aguardando informações da médica para saber se ela vai permanecer internada”, afirmou.

Segundo Derci, mãe e filha passaram o Ano Novo com ele e a família, em Pelotas, antes de seguirem viagem. “Hoje, elas iam para São Lourenço para conhecer a praia. Escolheram ir de ônibus porque não conhecem quase nada aqui. Não têm parentes nem conhecidos. Agora, a menina perdeu a mãe e está aqui sozinha”, relatou.
Ainda conforme o amigo, Rita conseguiu enviar uma mensagem pedindo ajuda enquanto ainda estava presa no interior do ônibus após o impacto: “Ela mandou um oi e disse: ‘venham me socorrer, minha mãe acabou de falecer’. Foi só essa mensagem, depois ela não mandou mais nada”.

Alívio dos sobreviventes

No início da tarde, outra vítima do acidente que sofreu ferimentos leves foi liberada após atendimento médico. Ao reencontrar a família, o momento foi marcado por alívio e emoção.

A sobrevivente estava sentada no terceiro banco do ônibus, na poltrona de número 11, no lado oposto ao motorista, e foi soterrada pela areia transportada pela carreta. Segundo a sogra da vítima, Alessandra Rocha, de 43 anos, tudo aconteceu muito rapidamente. “Quando ela viu, já estava debaixo da terra”, relatou.

Ainda conforme Alessandra, dois passageiros conseguiram retirar a vítima, utilizando partes do próprio ônibus, abrindo espaço entre os destroços e a areia. “Eles conseguiram tirar ela debaixo da terra”, contou.

A mulher sofreu escoriações, mas estava consciente e foi liberada para permanecer em observação em casa, com orientação para retornar ao hospital em caso de necessidade. Apesar de fora de perigo, o impacto emocional permanece. “Ela disse que achou que ia morrer. Está com muito medo”, relatou a sogra.

Durante o tempo em que esteve presa sob a areia, a vítima contou que conseguia respirar, mas que “via muito sangue ao redor, viu uma senhora com muito sangue”, segundo Alessandra.

A mulher viajava para São Lourenço do Sul, onde encontraria a mãe, que se deslocou até Pelotas e acompanhava a filha no momento da liberação. Para a família, o sentimento predominante é de alívio: “É um alívio saber que ela está viva”.

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