A 2ª Feira Cultural e Literária Preta (Feclip) marca este final de semana com uma série de atividades que envolvem literatura, arte e empreendedorismo para valorizar vozes negras e indígenas. Organizado pela Feira de Mulheres Empreendedoras Negras e Indígenas (Femeni), o evento celebra ancestralidades, promove vivências e reforça o acesso a narrativas ainda ausentes nas escolas. Toda a programação será desenvolvida na praça Dom Antônio Zattera até a quarta-feira, das 10h às 19h.
As organizadoras propõem um evento que celebre quem veio antes e fortaleça quem vem depois, através da literatura, da música e do empreendedorismo. Além disso, busca mostrar que o saber popular também é sabedoria ancestral.
O projeto nasceu em 2016 com o objetivo de se fazer 30 dias de eventos durante o novembro, mês da Consciência Negra. A presidente da Femini, Luciana Custódio, conta que a ideia de reapresentar a Feira Literária com a vontade de levar à comunidade uma proposta que fosse além da compra e venda de livros. Com esse objetivo, a Feclip se tornou um evento multicultural, especificamente de escritas, narrativas, oralidade, corporeidade, investimento em empreendedorismo, de avaliação sobre os espaços políticos que as comunidades negra e indígena ocupam dentro da cidade.
Para além das diferentes atividades, a literária preta vai estar presente com lançamentos de autores independentes de Pelotas e região e também de convidados de outras localidades. “Vamos trazer também esses elementos, essas influências da própria literatura local. Nós vamos estar lançando também a nossa primeira cartilha antirracista somente para feiras, para economia criativa e para especificamente para organizadoras e expositoras não negras e trazer um apoio para as nossa comunidade escolar, para quem trabalha a questão racial através da leitura”, explica Luciana.
Filha de Carolina Maria
Um dos destaques da programação é a vinda de Vera Eunice de Jesus, filha da escritora Carolina Maria de Jesus, uma das vozes de maior relevância na literatura negra brasileira. A escritora mineira esteve em Pelotas há exatos 65 anos, quando visitou a 1ª Feira do Livro do município (mais informações na página Memórias) em novembro de 1960, ano em que lançou sua principal obra, O Quarto do Despejo: Diário de uma Favelada. Nesta estada, Carolina fez sua primeira sessão de autógrafos no Rio Grande do Sul.
Vera Eunice de Jesus vai ser homenageada, da mesma forma que sua mãe, pela diretoria do Clube Fica Ahí, em um almoço neste sábado. Também estarão em Pelotas os autores Fabiana Sasi, Camila Freda, Thaiane Madruga e Thais Saggiomo, entre outras.
O evento ainda terá atrações musicais, como Leu Kalunga, banda Raízes Negras, O Soul da Preta, Pagode do Cesão, Pagode do Bruninho, Maurel Duarte, Lady Dee e Samba de Terreiro. Toda a programação é gratuita e pode ser acompanhada pela @feclip.feirapreta no Instagram.
Visibilidade
A artesã Dulce Amaral participa das feiras promovidas pela Femini há cinco anos. “Eu faço pintura em tecido, bijuterias em crochê e ecobags, quando dá para vir nos eventos eu estou sempre. É muito importante, dá mais visibilidade ao nosso trabalho, a mulher negra, artesã tem mais dificuldade para apresentar seu trabalho”, comenta.
O evento tem o patrocínio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Pró-cultura, por meio da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, do Ministério da Cultura, do governo federal e da Universidade Federal de Pelotas. A atividade também conta com a parceria com a Sala das Pretas e do Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, além do apoio da prefeitura de Pelotas.