O prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador (MDB), comemorou a prorrogação do funcionamento das usinas termelétricas a carvão até 2040, após a aprovação da Medida Provisória (MP) 1.304/2025, que aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão traz estabilidade para a economia local, altamente dependente da geração de energia, e marca o início de um novo ciclo de investimentos em tecnologia e sustentabilidade.
Em setembro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) já havia deferido um pedido da empresa Ambar Energia para suspender uma decisão de primeira instância que determinava a paralisação da Usina Candiota 3 e de outras usinas de carvão. Segundo Folador, a medida representa tranquilidade não apenas para os trabalhadores do município, mas também para moradores de cidades vizinhas como Bagé, Aceguá, Pinheiro Machado e Pelotas, que dependem direta ou indiretamente da atividade.
Atualmente, entre 60% e 70% da economia de Candiota está ligada à geração de energia, desde a extração do carvão até a utilização de cinzas na indústria do cimento. O setor movimenta empresas como a Copel e a CRM, além de fábricas instaladas na própria cidade e em municípios vizinhos.
Nova fase: da geração a carvão à captura de CO₂
Com a prorrogação garantida até 2040, o município busca agora avançar na transição energética. Segundo o prefeito, uma comitiva local visitou recentemente a China, país que domina a tecnologia de captura de CO₂ durante a produção de fertilizantes.
A parceria prevê a implantação da mesma tecnologia em Candiota, com a Ambar Energia firmando acordo com a empresa chinesa JNG. A expectativa é que uma comitiva chinesa visite o município entre novembro e dezembro para avaliar a viabilidade da instalação.
“A China consegue capturar até 90% do CO₂ emitido, transformando-o em fertilizantes à base de nitrogênio e potássio. O Brasil consome cerca de 50 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, 92% importados da Rússia e Ucrânia. Produzir aqui é atender ao meio ambiente e à economia nacional”, explicou o prefeito.
Diversificação econômica e sustentabilidade
Paralelamente, Candiota também aposta na diversificação da economia. O município abriga três grandes vinícolas — responsáveis por cerca de 2,1 milhões de garrafas anuais, exportadas para 30 países —, além de ser polo na produção de azeite de oliva, sementes de hortaliças e leite.
Outro projeto em andamento é a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), em parceria com a Prefeitura de Hulha Negra, que pretende atrair investimentos para a produção de metanol, ureia e fertilizantes, produtos hoje totalmente importados pelo Brasil.
Rodovia Transcampezina
Além dos avanços energéticos e produtivos, Folador destacou o andamento do projeto da Rodovia Transcampezina, que liga Aceguá a Hulha Negra e será estendida até Herval. O investimento inicial é de US$ 15 milhões, com contrapartida do governo do Estado e recursos do Fonplata. A obra utilizará pavimento rígido de cimento, mais durável e sustentável. “Esperamos iniciar o primeiro trecho nos próximos meses. Será uma obra modelo para o país, segura e econômica, com tecnologia usada no Uruguai”, afirmou o prefeito.
