Obra sugerida por Saturnino de Brito dá origem ao canalete da Argolo

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Obra sugerida por Saturnino de Brito dá origem ao canalete da Argolo

Por

Atualizado terça-feira,
02 de Junho de 2026 às 11:42

Há 98 anos

Em junho de 1928 avançavam as obras do canalete da rua Argolo, em Pelotas. A obra começou a ser realizada em abril, mas caminhou lentamente, devido à dificuldade de continuar os trabalhos na estação chuvosa e à insuficiência de pessoal.

A ideia de fazer uma galeria a céu aberto foi sugerida, um ano antes, pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, que apontou em seus estudos a existência de uma sanga na rua General Argolo, ocasionando em frequente inundação daquele setor da cidade. “Preferimos os canaletes abertos às galerias, quando se tenham de esgotar águas pluviais volumosas. Podem constituir, quando bem tratados, elementos decorativos das ruas, com as pequenas pontes, passadiços e jardineiras […] Façamos então um canalete”, sugeriu o sanitarista.

Brito rebate críticas

Em função das dificuldades ao final do mês de junho, apenas 170 metros do canalete estavam prontos. A ideia causou descontentamento e reclamações na imprensa local: alegava-se que uma galeria subterrânea seria mais conveniente e que, por ser plana a rua, o canalete praticamente não teria declive.

Saturnino de Brito rebateu as críticas, afirmando que as galerias subterrâneas ocasionavam obstruções e que a inclinação do canalete era suficiente para manter o escoamento necessário. Posteriormente, uma vez concluída a obra, foram feitas medições durante os períodos de precipitação, comprovando-se a sua eficácia na drenagem.

Traçado

O canalete começava, de início, na rua Marechal Deodoro esquina Padre Felício, dobrando perpendicularmente na rua Argolo até desaguar no Canal do Pepino. No ano de 1970, o trecho da Marechal Deodoro começou a ser fechado, permanecendo apenas o da Argolo a partir da esquina com a rua Andrade Neves. A obra tem 1,60 metro de altura por 2,10 metros de largura e o seu contorno era preenchido por floreiras em cimento, decoradas com folhas de acanto e tulipas.

Fonte: Dicionário de História de Pelotas, organizado pelos historiadores Beatriz Loner, Lorena Gill e Mario Osorio Magalhães

Há 25 anos

Obra de Lenir de Miranda tem destaque em Porto Alegre

A obra de uma das artistas plásticas mais reconhecidas da cena local, Lenir de Miranda estava em destaque em Porto Alegre, com a exposição A obra aberta, na Galeria Chaves. Na época, o encarte intitulado pintura textolivrodeartistajoyceanamente acompanhava a exibição.

Nele, escreveu Icleia Borsa Cattani, professora e pesquisadora de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: “Nos livros de Lenir de Miranda a integração entre a palavra e a imagem não tem a ver com a ilustração da escrita pela imagem, nem com a ‘explicação’ da imagem pela escrita: elas andam juntas, correspondem-se sem se explicaram mutuamente, complementam-se sem se fundem”.

Trajetória

Lenir Garcia de Miranda concluiu o seu curso de pintura na Escola de Belas Artes, em 1967. No início da década de 1980 ingressou como professora no Departamento de Artes Visuais do Instituto de Letras e Artes (ILA)-UFPel, onde teve destacado desempenho. Sua atuação docente revestiu-se de grande importância pelo encaminhamento que deu ao ensino da arte, contribuindo decisivamente para a inserção de práticas artísticas contemporâneas na orientação dos alunos e nas artes visuais de Pelotas.

Como artista plástica, pela qualidade de sua produção, Lenir assumiu um papel de destaque na arte gaúcha a partir da década de 1980. Na sua obra, a representação expressionista é constante e cria um elemento de ligação entre os diferentes momentos de sua trajetória artística.

Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; Dicionário de História de Pelotas, organizado pelos historiadores Beatriz Loner, Lorena Gill e Mario Osorio Magalhães

Acompanhe
nossas
redes sociais