Após uma estreia considerada “extraordinária” na Latin America Space Challenge (LASC) – a maior competição aeroespacial da América Latina –, a equipe de foguetemodelismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vai atrás de um resultado ainda melhor. Com o oitavo lugar em 2025, o grupo agora projeta voos mais altos. O objetivo, neste ano, é conquistar o primeiro lugar.
Formada por estudantes de diferentes áreas e coordenada pelo professor Alejandro Martins, a UFPel Rocket Team passou por um processo recente de reconstrução. Criada originalmente em 2017, a equipe ficou inativa por um período e foi retomada no fim de 2024 por uma nova geração de integrantes.
“Foi um ano de recomeço, de entender como tudo funciona. E já na nossa estreia conseguimos um resultado muito gratificante”, destaca o líder da equipe, Thierry Holz. Ao todo, o grupo ficou entre as dez melhores equipes da categoria de voos de 500 metros de altura e entre as 32 melhores no ranking geral, em meio a mais de cem participantes.
A competição, realizada no interior de São Paulo, reúne equipes universitárias de toda a América Latina para projetar, construir e lançar foguetes experimentais. No caso da UFPel, o desafio foi atingir o apogeu de 500 metros com precisão.
Projeto interdisciplinar
Um dos diferenciais da equipe está na diversidade. Atualmente com 26 integrantes, o grupo é dividido em sete subáreas, que vão desde setores como aerodinâmica, propulsão e aviônica, até comunicação, gestão e relações institucionais. “É difícil organizar 26 pessoas completamente diferentes, mas com um propósito em comum. Hoje, a gente já se vê como uma família”, diz a estudante de Jornalismo e responsável pela comunicação, Lívia Silveira.

(Foto: Divulgação)
A estrutura permite que alunos de cursos como Engenharia, Jornalismo e Relações Internacionais atuem juntos no projeto. Para o estudante João Diego Costa, que trabalha na área de propulsão, o caráter multidisciplinar é essencial. “Cada pessoa contribui com o que sabe. Não precisa ser engenheiro para fazer parte. Todo mundo pode ajudar, como naquela ideia de que cada um está contribuindo para levar o homem à Lua”, compara.
Desafios financeiros
Apesar dos resultados, a equipe enfrenta dificuldades para se manter. Sem financiamento institucional, o projeto depende de contribuições dos próprios integrantes, campanhas e patrocínios. “Estamos falando de um projeto caro, com materiais específicos e, muitas vezes, importados”, explica Lívia.
Componentes essenciais, como sistemas eletrônicos de controle, não são encontrados no mercado local, o que eleva os custos com importação. Em 2025, a participação na LASC só foi possível graças a uma campanha de financiamento coletivo e apoio da comunidade.
Tecnologia e formação
Para o professor Alejandro Martins, o projeto vai além da competição. Ele destaca o impacto na formação dos estudantes e na conexão com novas tecnologias, além de citar a participação em competições como fundamental no desenvolvimento de habilidades. “Cria foco, gera soluções e coloca o aprendizado baseado em problemas na prática”, aponta.
Topo do pódio é meta de 2026
Com a experiência ganha, a equipe já se prepara para retornar à LASC em 2026. O objetivo é melhorar o desempenho técnico e buscar o primeiro lugar. “A gente conseguiu o oitavo lugar, mas quer o primeiro. Vamos mais preparados e com mais experiência”, projeta Thierry. Enquanto isso, o grupo também busca novos patrocinadores e apoios.
Como ajudar o projeto
Os interessados podem entrar em contato com a equipe pelo Instagram (@ufpelrocketteam) ou pelo telefone (51) 99608-9465.