Em alusão ao Mês da Mulher, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apresentou, nesta segunda-feira (9), uma série de ações voltadas ao combate à violência contra a mulher e à promoção da igualdade de gênero. As atividades ocorreram pela manhã, no Campus Anglo, e contaram com a presença de representantes de movimentos femininos e autoridades, entre elas a deputada federal Maria do Rosário (PT).
A programação incluiu a instalação do Comitê HeForShe, a inauguração do terceiro Banco Vermelho da instituição e a assinatura do termo de adesão ao Protocolo Não é Não, criado pela Lei nº 14.786/2024, de autoria da deputada Maria do Rosário. As iniciativas integram a política institucional “Bem Viver UFPel: Prevenção e Combate às Violências”.
Homens como aliados
Criado pela ONU Mulheres, o movimento HeForShe tem como objetivo mobilizar homens e meninos como aliados na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento das desigualdades estruturais que afetam mulheres e meninas em todo o mundo.
O vice-reitor da UFPel e responsável pelo movimento na universidade, Eraldo Pinheiro, explica que o comitê pretende reunir representantes homens para promover formações e capacitações voltadas a professores e técnicos sobre a temática. “São os homens que, em grande parte, cometem ações de misoginia. A partir da criação do comitê, teremos várias ações na universidade. Também buscamos uma mudança cultural, especialmente entre os estudantes. Os meninos precisam ter essa formação para que possamos construir um futuro melhor”, afirma.
Diferentemente de muitas instituições, a UFPel não reproduz o fenômeno conhecido como “teto de vidro acadêmico”, no qual as mulheres são maioria na graduação, mas acabam se tornando minoria ao longo da carreira, especialmente em cargos de doutorado ou de professora titular. Na universidade, elas são maioria em diversos segmentos: entre docentes (52%), pró-reitorias (50%), coordenações (52%), estudantes de graduação (58%) e pós-graduação (57%).
Para Pinheiro, a criação do comitê também representa uma forma de apoiar essas mulheres no cotidiano universitário. “Não adianta termos apenas números positivos se, na prática, continuarmos convivendo com situações que deixam essas mulheres em vulnerabilidade”, acrescenta.
Conscientização no ambiente acadêmico
O terceiro Banco Vermelho da UFPel foi instalado em uma área de convivência próxima à cantina do Campus Anglo. O mobiliário é um símbolo internacional de combate ao feminicídio e à violência de gênero. O primeiro banco da universidade foi instalado no Campus Capão do Leão e o segundo no Centro de Artes. Pelotas já conta com outras unidades espalhadas pela cidade, como na Praça Coronel Pedro Osório e no Fórum.
A inauguração ocorre simultaneamente em 69 universidades federais. De acordo com a reitora Ursula Rosa da Silva, a UFPel encaminhou à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) a sugestão de instalação dos bancos em alusão ao Mês da Mulher e às ações de enfrentamento às violências. “Muitas universidades estão realizando essa ação ao longo do mês, e várias delas neste mesmo dia”, explica.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marielda Medeiros, responsável por trazer a iniciativa do Banco Vermelho para Pelotas, parabenizou a universidade pela adesão ao movimento. “Quando falamos dele como um alerta, também estamos afirmando que seguimos presentes nessa luta. Não vamos desistir, mas queremos que cada vez mais pessoas se somem a ela”, destaca.
Pioneira no acolhimento
Dentro da política institucional Bem Viver UFPel, a universidade aderiu ao Protocolo Não é Não, tornando-se a primeira instituição de ensino superior do país a implementar essa política. A lei federal foi inicialmente pensada para ambientes como bares, restaurantes, hotéis e casas noturnas, onde muitas mulheres ainda enfrentam situações de assédio e importunação.
O protocolo estabelece uma série de procedimentos para que esses locais ofereçam apoio às mulheres que se sintam vítimas de violência. Entre as medidas estão o acolhimento imediato, a preservação de provas – como imagens de câmeras de segurança – e a possibilidade de retirar o agressor do ambiente, inclusive com o acionamento da polícia.
Na universidade, o protocolo foi adaptado à realidade acadêmica. Espaços como salas de aula, cantinas, eventos e festas universitárias passam a contar com esse tipo de proteção e com canais institucionais para o enfrentamento dessas situações. “Entendemos que estudantes, técnicos e professores precisam estar conscientes da necessidade de uma mudança de comportamento. A universidade tem um papel importante nesse processo”, afirma a reitora.
Para a deputada federal Maria do Rosário, a adesão da UFPel ao protocolo representa um movimento inovador. “Isso significa que haverá uma atenção permanente aos direitos das mulheres, contra o assédio e contra diferentes formas de violência. Todas as mulheres – estudantes, professoras ou técnicas – terão canais de comunicação com a universidade caso vivenciem alguma situação de violência. É um avanço muito importante, e a UFPel é a primeira universidade do país a implementar essa iniciativa”, destaca.
