Do trabalho no campo à liderança na comunidade rural

DIA DA MULHER

Do trabalho no campo à liderança na comunidade rural

A produtora rural aposentada, Gertrudes Schubert, será a primeira subprefeita do 7º Distrito

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Atualizado domingo,
08 de Março de 2026 às 08:55

Do trabalho no campo à liderança na comunidade rural
Gertrudes assume cargo na segunda-feira (Foto: Jô Folha)

Em um espaço historicamente ocupado por homens, a liderança feminina começa a ganhar mais espaço no interior de Pelotas. Agricultora aposentada, militante de movimentos sociais e moradora da zona rural há quase quatro décadas, Gertrudes Schubert será a nova subprefeita do 7º Distrito – tornando-se a terceira mulher a assumir uma subprefeitura no município e a primeira na localidade.

Com origens na produção de pêssego e tomate, Gertrudes vive há 38 anos no 7º Distrito. Casada, mãe de três filhas e avó de três netos, ela construiu sua trajetória na agricultura familiar e na atuação comunitária. Ao longo de 25 anos dedicados a movimentos sociais ligados aos trabalhadores rurais, tornou-se uma figura conhecida na região. “Sempre trabalhei com política, com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e com as comunidades locais”, conta.

A produtora relata que, nas primeiras reuniões das quais participou, era uma das poucas mulheres presentes. “Normalmente só havia homens. Comecei a dizer que gostaria muito que as mulheres participassem também, porque elas precisam opinar e ouvir o que está sendo feito”, afirma. Com o passar do tempo, mais mulheres passaram a se engajar nos movimentos e nas discussões sobre o trabalho no campo. “Hoje elas são bem mais engajadas na área rural do que eram há 20 anos. A evolução foi muito boa”, destaca.

Primeira subprefeita do 7º Distrito

Após anos de participação ativa na comunidade por meio de trabalhos voluntários, Gertrudes será empossada na segunda-feira (9) como a primeira subprefeita do 7º Distrito de Pelotas. Segundo ela, o convite partiu da Secretaria de Desenvolvimento Rural. “O secretário comentou que queria ampliar a participação das mulheres nas subprefeituras também”, relata.

Questionada sobre uma possível resistência à liderança feminina, especialmente em áreas rurais, a produtora aposentada afirma não estar preocupada e diz encarar o desafio com tranquilidade. “Sempre lidei com a parte masculina, com os moradores. Acho que eles vão me respeitar. Também tenho muito orgulho das nossas mulheres, que estão me apoiando bastante”, afirma.
Ela também destaca que pretende priorizar o diálogo com a comunidade. “Cada um tem suas demandas e, para quem traz uma demanda, ela sempre parece essencial. Então precisamos dialogar, e eu tenho um diálogo bom com a comunidade”, acrescenta.

Estradas e qualificação feminina

Com conhecimento prévio das necessidades da região, a futura subprefeita já começa a traçar metas e identificar os principais desafios da gestão. Segundo ela, a principal demanda da população está relacionada à manutenção das estradas. “Precisamos priorizar o transporte escolar e as vias principais. Vi que algumas estão um pouco abandonadas”, afirma. “Demandas já tenho bastante, só preciso assumir para começar a trabalhar”, acrescenta.

Em relação a pautas específicas para as mulheres do campo, Gertrudes destaca a importância da qualificação para a gestão das propriedades rurais. “Muitas vezes as pessoas pensam em pautas mais caseiras, como cursos de culinária ou de bordado. Mas acho que precisamos de cursos de administração rural, para que as mulheres possam aprender a gerir a propriedade junto com os homens”, explica.

Para ela, a preparação e a qualificação são fundamentais para ampliar a presença feminina em diferentes espaços da sociedade. “Quando a mulher fala com verdade e com coração, muitas vezes se expressa até melhor. A mulher é mãe, entende melhor as dificuldades da comunidade, seja na educação, na saúde ou em outras áreas. Por isso, espero que elas continuem participando e usando essa capacidade que têm”, conclui.

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