Me aproximo como uma criança atormentada pelos pesadelos de uma noite solitária.
Me vejo, por um momento, vazia.
Como quem sangra pelos caminhos que traça, e apenas se reconhece pela trajetória.
Você abre os braços e me aproximo, procurando colo ou consolo.
Me encontro, então, na medida em que me misturo com seu cheiro e me perco no segundo em que sinto seu lado humano.
No fundo, o que me apavora é ser vista como alguém que pode chorar.
Tua humanidade crua me deixa algo que soa quase como inveja.
Inveja de não ter medo de sentir e assumir.
Inveja porque reconheço quando o mundo desaba, e sei que sou a pessoa que deseja sumir.
O tipo de pessoa que sempre teve que fugir para se encontrar.
Desaparecer de minha própria pessoa.
Ser humana me assusta,
porque sempre tive a cobrança de ser
a pessoa perfeita.
E a pessoa perfeita não cai,
não rala o joelho e retorna chorando para casa.
Mas você me abraça e me permite sujar suas próprias vestes de sangue, deixando tudo carmesim, derramando em ti uma parte de mim.
Para no final do dia, conseguir respirar
e não me afogar com a minha própria pessoa.
Você soa como quem traz a cura.
Quem me olha e me vê humana,
completa, ferida e mesmo assim, me reconhece como sua.