São Lourenço do Sul é uma das primeiras cidades do Brasil a implantar o programa ‘Agora Tem Especialista’, do Governo Federal, que busca ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias especializadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os primeiros procedimentos ocorreram na quarta-feira (4), marcando o início efetivo da operação na cidade.
O município está participando da modalidade 2 do programa, que oferece cirurgias gerais e vasectomia, especialidade da urologia. O convênio municipal, assinado em 19 de setembro de 2025, oferta o espaço público para operacionalização do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), através do Ministério da Saúde.
Junto de Canoas, São Lourenço do Sul é a cidade pioneira na ação que deverá agilizar procedimentos na região Sul do Estado. De acordo com o administrador da Santa Casa, Aristides Feistler, o município não tem filas de lista de espera, mas está recebendo pacientes de outras cidades próximas.
Ainda segundo Feistler, nos primeiros três meses, estão previstos 180 procedimentos: 60 colecistectomias, que é a retirada da vesícula; 40 hernioplastias, retirada de hernias e 80 vasectomias. Seis deles inauguraram o programa nessa semana: duas colecistectomia, três hernioplastias e uma lesão de pele.
Na próxima semana, o hospital entrará em oferta de atendimentos, juntamente com a regulação do Estado, conforme a demanda dos municípios. O objetivo é agilizar os procedimentos regionais. Feistler explica que a ideia de aderir ao programa tem cunho muito mais humano do que financeiro. “Fomos umas primeiras entidades a habilitar o edital, que é a nível do Brasil. Do ponto de vista financeiro, não traz grandes resultados. Mas na melhoria da qualidade de vida das pessoas, não tem valor que pague”, diz.
O programa Agora Tem Especialistas tem duração de três meses em São Lourenço do Sul, podendo prorrogar após o período.
Intervenção promete nova realidade no hospital
Feistler analisa que, a partir do mês de março, a realidade do hospital irá mudar de patamar. Segundo o administrador, a instituição sairá de uma situação deficitária para superávit, graças a elevação do teto MAC, que é o limite de recursos financeiros que o governo federal repassa mensalmente para custeio de hospitais. “Isso vai viabilizar a permanência do serviço da Santa Casa”, explica.
Enfrentando grave crise financeira, a gestão da Santa Casa de São Lourenço do Sul foi assumida, através de intervenção municipal, pela prefeitura, em 28 de julho de 2025. De lá para cá, a realidade é de recuperação dos serviços.
De acordo com Feistler, três dias após a intervenção, serviços essenciais foram reestabelecidos. “Se não fosse a intervenção, hoje a Santa Casa estaria fechada. Existia uma desassistência à população. Em 1 de agosto já foram reestabelecidos serviços de obstetrícia, anestesiologia, avaliação cirurgia e pediatria”, conta.
Outro marco importante foi a regularização do pagamento dos médicos, que estavam há seis meses sem receber. Segundo Feistler, o mês de outubro de 2024 já foi quitado, restando os cinco meses posteriores até a intervenção. A previsão é de pagamento a partir de 10 de março.