O Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel) abre nesta quinta-feira (5), às 17h, a exposição Confabulações, reunindo obras do patrono Leopoldo Gotuzzo (1887-1983) pertencentes ao acervo institucional e à coleção privada do artista e colecionador Roberto Bonini. Com curadoria da professora Lizângela Torres, a mostra propõe um diálogo entre conjuntos distintos, aproximando lacunas, hipóteses e afetos em torno da trajetória do pintor pelotense.
Ao todo, 22 obras da coleção Bonini, que soma cerca de de 30 trabalhos de Gotuzzo, foram selecionadas para estabelecer conexões com peças do museu. Segundo a curadora, a proposta organiza o espaço expositivo em “constelações”: natureza-morta, figura humana, paisagem, período de estudos em Roma e vistas europeias.
A ideia, segundo Lizângela, é permitir que uma coleção “complete” a outra, estimulando o público a criar suas próprias narrativas a partir de aproximações formais e históricas. “A ideia era buscar o encontro dessas coleções, para que uma completasse a outra e a gente pudesse fechar aqueles aquelas lacunas que toda a coleção tem”, fala a curadora, professora da UFPel.
Três obras um mistério
Entre os destaques está o núcleo da figura humana, com retratos de forte intensidade expressiva. Bonini sustenta a hipótese de que uma de suas obras, o retrato de uma mulher negra, da década de 1930, traz a imagem da mesma modelo que figura como uma baiana em outra pintura, hoje nos Estados Unidos, e, possivelmente, em uma terceira baiana, esta nua, um dos destaques do acervo do Malg.
Esta última, da década de 1940, porém todas executadas no Rio de Janeiro. A curadoria assume essas possibilidades como parte do jogo expositivo: não se trata de comprovação documental, mas de fabulação fundamentada. “Com certeza é a mesma pessoa, não se tem comprovação científica, documentos ou fotográfico, mas pra mim é a mesma”, diz o colecionador.
E foi a baiana nua que está no Malg quem chamou a atenção de Bonini, quando ele tinha 17 anos e começou a estudar piano no Conservatório. “Ela estava na subida da escada. Já desde aquela época me chamou atenção”, relembra.
Mas a arte pictórica não era novidade para Bonini, que convivia com obras de um antepassado desenhista e pintor, mas a pintura de Gotuzzo era especialmente admirada pelo futuro artista. Em 1978 houve um concurso do Departamento de Mùsica e Artes Cênicas do Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal de Pelotas. Bonini participou com dois trabalhos artísticos e suas obras venceram, o que motivou que seguisse uma carreira artística na pintura paralelamente ao piano.
Viagens
Outro eixo da exposição aborda o período de formação em Roma, com desenhos do seu mestre na época e registros fotográficos do álbum produzido por Gotuzzo em 1913. Um QR Code dará acesso ao material completo, ampliando a experiência do visitante. Paisagens da França e de Portugal, além de vistas do Rio de Janeiro, ajudam a preencher lacunas do acervo público, como a fase parisiense, até então inédita no Museu.
Ações educativas
A exposição segue até 23 de maio, com visitação de terça a sábado, das 13h às 18h30min, na praça Sete de Setembro, 180. No dia 8 de abril, coincidentemente, data de nascimento de Bonini e de Gotuzzo, o Museu promove conversa aberta ao público. Ainda estão previstas outras ações educativas voltadas aos gêneros da pintura explorados pelo artista.
Prestigie
- O quê: exposição Confabulações – Coleção Roberto Bonini encontra o Malg
- Quando: quinta-feira (5), às 17h
- Onde: praça Sete de Julho, 180
- Visitação: terça a sábado, das 13h às 18h, até 23 de maio
