“A gente tem essa necessidade de parar um pouco e fazer uma reflexão sobre o que podemos melhorar”

Abre aspas

“A gente tem essa necessidade de parar um pouco e fazer uma reflexão sobre o que podemos melhorar”

Padre Darvan da Rosa - Capelão da UCPel

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“A gente tem essa necessidade de parar um pouco e fazer uma reflexão sobre o que podemos melhorar”
(Foto: Reprodução)

Quaresma é a palavra utilizada para designar o período de 40 dias, no qual os cristãos, em especial os católicos, realizam a preparação para a Páscoa. A data é considerada a mais importante do calendário litúrgico cristão, por celebrar a ressurreição de Jesus, a base principal da fé cristã. Nesse período, que teve início na Quarta-feira de Cinzas (18 de fevereiro) e terminará na Quarta-feira da Semana Santa (2 de abril), os fiéis são convidados a fazerem um confronto especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esse confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.

O capelão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), padre Darvan da Rosa, explica como se deu a instituição da quaresma no cotidiano dos cristãos e as mudanças que ela vem passando ao longo dos anos, que inclui a maior aderência de jovens à rotina de fé, ainda que não de forma institucionalizada, mas como um estilo de vida e propósito.

O que é a Quaresma e o que ela significa?

Quaresma vem de 40, né? Então lembra que o povo de Deus no Antigo Testamento ficou 40 anos no deserto e depois Jesus ficou 40 dias no deserto antes de começar a sua missão pública. Então a quaresma está ligada com a Páscoa, porque a Páscoa é o momento mais importante da fé cristã, onde Jesus morre e ressuscita para nos salvar, para nos tornar filhos de Deus. Nesse período que a gente lembra, a cada ano, que todos nós que também fomos batizados, morremos com Cristo para aquela vida velha e ressurgimos para uma vida nova. Só que todos os anos a gente faz esses exercícios quaresmais para a gente se renove, lembrando quem nós somos. Então a gente passa esses 40 dias pedindo a Deus que nos renove naquilo que nós somos, filhos e filhas amados de Deus.

A celebração tem mudado com o passar do tempo?

Eu acho que a gente vai, como humanidade, em algumas coisas a gente vai melhorando, outras coisas a gente talvez tenha que melhorar um pouco mais. Mas eu acho que uma das coisas que melhorou muito na quaresma, talvez lembrando as quaresmas dos nossos pais e avós, é que a gente foi entendendo que o principal da quaresma não é fazer isso ou aquilo simplesmente, mas é voltar o nosso coração para Deus. E portanto também, se abrir para os irmãos. Então, isso é o principal na quaresma, me voltar para Deus e deixar que ele vá transformando o nosso coração em um coração muito mais feliz, num coração muito mais alegre, com muito mais paz e, portanto, também um coração generoso.

A quaresma ainda faz sentido para a sociedade atual?

Eu acho que faz muito. A gente tem essa necessidade de parar um pouco e fazer uma reflexão sobre o que podemos melhorar. O amor não é feito por grandes coisas em geral. Geralmente a nossa vida tem poucas chances de fazer grandes coisas pelos outros. As nossas possibilidades são coisas pequenas que eu posso fazer com a minha esposa, com o meu esposo, com meus filhos, com meus pais, com meus colegas de trabalho. São poucas coisas onde eu posso tornar a vida da outra pessoa mais amável, mais feliz.

Como vê a participação de jovens em momentos como esse?

Eu acho que os adolescentes compreendem muito mais rápido do que nós adultos. Porque como eles estão no início da vida, eles são como uma esponjinha ainda que recebe muita coisa. Quando a gente começa a explicar o que é o importante, o que não é, eles começam a compreender e se engajam muito. A quaresma não é alguma coisa simplesmente exterior, onde a gente faz coisas exteriormente, mas é uma mudança interna, mudar o nosso coração. Eu observo que a geração atual, eu diria que de alguma forma é mais fácil do que a geração da década de 70, 80, 90, que eu vivi como jovem, sobretudo na 80 e 90, onde a gente tinha uma certa vergonha, a gente tinha uma vergonha de dizer que tinha alguma ligação com alguma religião, ou que tinha algum tipo de piedade pessoal, que eu rezava. Hoje a gente percebe que a juventude não tem esse preconceito. Também tem uma outra coisa que é interessante, que eles também não têm tanta ligação institucional. Às vezes eu tenho fé, eu acredito em Deus, mas eu não tenho uma ligação institucional. Eu vejo que a geração mais jovem está buscando algo onde eles possam sentir alguma segurança.

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