A manhã desta terça-feira (3) foi de intensa mobilização em frente à Câmara de Vereadores de Pelotas. Professores, funcionários de escola, diretores, pais e alunos ocuparam a rua 15 de Novembro, que chegou a ficar bloqueada, para pressionar pela tramitação do novo projeto que autoriza contratações temporárias na rede municipal de ensino. Parte do grupo conseguiu entrar no plenário após insistência — o Legislativo está sem contrato de vigilância, o que dificultou o controle de acesso — e o espaço ficou lotado. Outros permaneceram do lado de fora. O objetivo era cobrar que o projeto fosse discutido e avançasse nas comissões, mas o desfecho foi outro e a matéria não entrou na pauta do dia.
A sessão ocorreu com apenas 11 vereadores presentes. Entre os ausentes estavam nomes centrais para o andamento do projeto, como o presidente da Comissão de Educação, Marcelo Bagé (PL), além do presidente e do vice da Comissão de Constituição e Justiça, César Brisolara (PSB) e Cauê Fuhro Souto (PV). Sem eles, a engrenagem simplesmente não gira. Tradicionalmente, as manhãs de terça são reservadas às sessões da CCJ e da COF, instâncias obrigatórias para análise técnica de propostas desse tipo. Nesta semana, essas reuniões não aconteceram.
As justificativas formais são compromissos em Brasília ou Porto Alegre. Viagens institucionais fazem parte da atividade política, só que chama atenção é a coincidência quase matemática: elas ocorrem justamente nos horários em que a Câmara precisa funcionar para destravar uma pauta urgente da educação. Quando a pressão vem da rua, a agenda se desloca para fora mais uma vez.
A cena de ontem escancara um contraste que já vinha se desenhando. O projeto original foi protocolado em dezembro, sob regime de urgência. Ficou parado até depois da volta às aulas. Avançou parcialmente sob pressão pública. Agora retorna porque a necessidade continua. E, novamente, quando a comunidade escolar comparece em peso, encontra cadeiras vazias.
Para a nossa reportagem, a vereadora Fernanda Miranda (PSOL), atualmente afastada por suspensão, lembrou que em janeiro — período tradicional de recesso — foram realizadas sessões extraordinárias para encaminhar sua suspensão. Agora, com escolas municipais enfrentando carência de profissionais, falta quórum para discutir a matéria. A comparação não é retórica, ela expõe um critério de prioridade.
Plateia houve. Pressão houve. A mensagem foi dada. Resta saber se, na próxima sessão, haverá também plenário.