A filosofia zen diz: se algo é entediante após dois minutos, tente por quatro. Se ainda for, tente por oito. Depois dezesseis. Trinta e dois. Eventualmente, você descobrirá que isso não é entediante.
Sou usuário frequente de redes sociais, mas cada dia entendo melhor o lugar perigoso que elas ocupam na minha vida. Na nossa. São escapes fáceis, que nos roubam o tédio – e com ele, a capacidade de simplesmente estar, sem grandes expectativas.
Nossa capacidade de foco diminui em 25% a cada 2 anos. Este é o último achado da Microsoft, em ampla pesquisa realizada com usuários em 2025. Estamos perdendo a capacidade de aprofundamento. Quantas vezes você viu algo até o fim? Iniciou — e terminou — um livro este ano? Leu um artigo de forma profunda?
A ultradisponibilidade de informação é revolucionária. Dá voz a quem antes não seria ouvido, democratiza o conhecimento. Mas há uma armadilha invisível: a distração. As redes são feitas para nos manter dentro nelas. Consumimos conteúdo atrás de conteúdo, cada vez mais frenéticos. Essa abundância somada à velocidade nos deixa ansiosos. Desatentos. Impacientes.
Se nos entediamos em uma conversa, pegamos o celular.
Se um vídeo não tem imagens super dinâmicas, rolamos a tela com muita facilidade.
A atenção funciona como a respiração: está sempre ali, mas só quando tomamos consciência dela conseguimos direcioná-la.
O que vemos forma a base de como agimos. Por isso, saber no que estamos prestando atenção é essencial.
Faço-lhe um convite: escolha um assunto importante para você e se aprofunde. Leia um livro. Assista a um vídeo com atenção plena. Encontre um artigo e leia de verdade. Esse é o remédio que aplico todos os dias, e os efeitos me salvam do afogamento digital.
É o melhor presente que você pode dar à sua atenção e a sua sanidade