“Aqueles dois, três minutos de apresentação, representam todo o período de ensaio e toda a vida dela”

Abre Aspas

“Aqueles dois, três minutos de apresentação, representam todo o período de ensaio e toda a vida dela”

Vinícius Colvara e Juliana Colvara | Pelotenses e pais da Antonia, que conquistou medalha de ouro no Tanzolymp Berlin 2026, um festival internacional de ballet

Por

Atualizado sexta-feira,
27 de Fevereiro de 2026 às 10:31

“Aqueles dois, três minutos de apresentação, representam todo o período de ensaio e toda a vida dela”
(Foto: Arquivo Pessoal)

Após temporada na Europa, a jovem Antonia Colvara, 16 anos, volta ao Brasil com foco na preparação para o Youth America Grand Prix (YAGP). Marcado para maio, nos Estados Unidos, o evento reúne milhares de bailarinos de diversos países e também concede bolsas de estudo aos participantes de destaque.

Como foi a trajetória da Antonia até a medalha?
Bom, a Antonia é uma menina que nasceu dançando já. Ela ainda nem tinha dado os primeiros passos, quando ficava de pé e tocava uma música ela já estava dançando. Aí a gente já percebeu que ela tinha alguma conexão com a música. E as coisas foram acontecendo, com dois anos, a gente colocou ela no balé e isso começou a crescer na vida dela. Em 2023, ela resolveu realmente assumir o balé, porque até então fazia outras danças. Então ela foi para o Ballet Vera Bublitz – Carlla Bublitz que é uma escola hoje de grande referência no Rio Grande do Sul para o balé, para se especializar realmente. E aí começou a participar de alguns festivais internacionais, né? Que bom, a gente fica muito feliz também com o êxito nas conquistas dela. Foi assim que no ano passado ela participou do FIDPOA (Festival Internacional de Dança de Porto Alegre) e esse festival deu uma bolsa para ela que dá o direito a uma vaga para participar desse festival em Berlim. Então elas foram agora em fevereiro e a Antônia acabou conseguindo o posto mais alto, que foi a medalha de ouro.

Como funciona a competição?
As competições, principalmente de balé jovem, que são para descobrir os talentos, elas têm a modalidade solo, os duos, trios e grupos, mas o foco principalmente dos festivais, são os solistas. Como se fosse traduzido para um atleta na Olimpíada, a hora que o ginasta vai fazer a apresentação solo dele, tem toda uma banca de jurados, que são geralmente diretores de grandes escolas de outros países, que fazem avaliação, desde do corpo, dos movimentos que ela faz, da técnica, do estilo de dança. E a gente até, para quem nunca assistiu um espetáculo de balé, sabemos que em Pelotas temos o Ballet Dicléa que é famosíssimo, a gente já deixaria uma recomendação para que todos pudessem, sempre que possível, assistir, porque é lindíssimo. Às vezes a gente se prende muito a futebol, a outras coisas, e as pessoas deixam de assistir a arte, e isso é tão empolgante quanto um jogo, assistir uma gala de um festival é fantástico.

Como é a preparação dela para esses momentos?
São muitas horas de ensaio, a Antonia faz em torno de seis horas de balé por dia, de segunda a sábado. Então, a gente sabe, aqueles dois, três minutos de apresentação, representa todo o período de ensaio e toda a vida dela. Qualquer coisinha que pode sair, a gente fica muito preocupado com ela, por uma questão de frustração, alguma coisa. Então, dá sempre muito frio na barriga, né?

O balé é, sim, uma arte que tem um custo elevado. Infelizmente, no Rio Grande do Sul, nós não temos muitas escolas apoiadas por projetos que captam talentos, como temos em Goiás, o Basileu França, temos no Rio de Janeiro projetos pagos por grandes empresas para captar, literalmente, talentos que não têm essa condição, porque é um custo de sapatilha, de viagem, de roupa. Para vocês terem ideia, a Antonia tem uma equipe hoje de apoio que inclui fisioterapeuta, ela tem massoterapeuta, psicólogo, pilates, nutricionista, é uma série de coisas que às vezes fica um pouco difícil de ter acesso a todos, mas a gente até, como apelo às grandes empresas do Rio Grande do Sul, que também se engajem, como outros estados fazem, e possam patrocinar e dar bolsas para talentos, descobrir talentos para que eles possam apoiar. A gente tem muitos talentos, muitas escolas lindíssimas, Pelotas é um exemplo do berço, eu vi a reportagem inteira da Dicleia, tem a Yu, que é daí que dança fora, então a gente precisaria de mais incentivos, né, pra esses jovens talentos bailarinos, né. Quem sabe, então, com esse reconhecimento, essa representação da Antonia na Alemanha e para o mundo, quem sabe não se volte esse olhar mais cuidadoso, atencioso para o balé que projeta nomes.

Acompanhe
nossas
redes sociais