A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) vai receber R$ 200 mil para criar um novo modelo de transferência de tecnologia e facilitar a aproximação com empresas. O recurso faz parte do Programa Acelera NIT Brasil, iniciativa que selecionou 20 universidades para melhorar a interação entre pesquisa e mercado. No Rio Grande do Sul, apenas a Furg e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) foram contempladas.
O valor total do projeto é de R$ 1,6 milhão, que inclui contrapartidas financeiras e será aplicado ao longo de 18 meses na organização de mecanismos que facilitem parcerias, contratos e processos de inovação. A proposta é reduzir o tempo entre o desenvolvimento científico e a chegada de produtos ao mercado.
“O objetivo é estruturar essa colaboração. A universidade tem como foco a pesquisa. A empresa quer colocar o produto no mercado. É necessário alinhar isso”, afirma a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Silvia Botelho.
Atualmente, a Furg mantém cerca de 60 projetos em parceria com empresas. As iniciativas envolvem áreas como saúde, agro, logística portuária, óleo e gás e economia azul. Entre os exemplos estão o desenvolvimento de próteses produzidas com tecnologia de prototipação 3D e a criação de um guindaste autônomo para plataformas da Petrobras.
Objetivo de reduzir a burocracia
Apesar do avanço, a transferência de tecnologia ainda esbarra em entraves administrativos. Como os recursos de pesquisa são públicos, as parcerias precisam atender a critérios de transparência. A chamada Lei de Inovação permite maior flexibilidade nesses acordos, mas a regulamentação interna ainda é considerada um desafio, conforme aponta Silvia: “O que estamos fazendo agora é organizar isso dentro da universidade.”
Desenvolvimento à base de inovação e tecnologia
A Furg já conta com uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) em robótica e inteligência artificial, com quase 100 empresas parceiras. A expectativa é que o novo investimento fortaleça esse ambiente e amplie a geração de empresas de base tecnológica na região. “A gente vai dar um salto em termos de agilidade e desburocratização”, projeta a pró-reitora.
Modelo para as universidades do Brasil
Ao final do projeto, o modelo estruturado nas universidades piloto deve servir de referência para outras instituições federais do país. A ideia é que a iniciativa fortaleça a política nacional mais eficiente de inovação e transferência de tecnologia.