Chegada do Tampico ao porto insere Pelotas na navegação de longo curso

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Chegada do Tampico ao porto insere Pelotas na navegação de longo curso

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Atualizado terça-feira,
24 de Fevereiro de 2026 às 13:30

150 anos

Em 11 de fevereiro de 1876, Pelotas viveu um de seus dias mais emblemáticos. Naquela manhã, às 6h, o palhabote norte-americano Tampico fundeou à barra do São Gonçalo, tornando-se o primeiro navio estrangeiro de grande porte a atracar no porto local após a desobstrução da barra, marco aguardado com ansiedade pelos homens de negócio, sobretudo os charqueadores.

O episódio é detalhado pelo pesquisador Guilherme Pinto de Almeida no livro Porto Memória – volume 2 (Pelotas, 2025). O segundo volume da série Porto Memória, uma realização da Associação Otroporto Indústria, pode ser acessado virtualmente no site otroporto.com.br ou direto no link sl1nk.com/3O2rD.

Segundo o autor, o Tampico, procedente de Nova Iorque e consignado à firma Antônio R. Cordeiro & Cia., trouxe 1,2 mil barricas de farinha de trigo. Mais que a carga, simbolizava a inserção efetiva de Pelotas na navegação de longo curso.

Cidade mobilizada

Navios de grande porte passaram a atracar após a desobstrução da barra (Foto: Projeto Porto Memória)

A chegada mobilizou a cidade. Rebocado inicialmente pelo vapor Helena e, depois, pelo São Pedro, o navio foi recebido por bandas de música (Lyra Pelotense, União e Santa Cecília), girândolas de foguetes e uma multidão que se acotovelava no cais, na praça Domingos Rodrigues e nos torreões dos casarões centrais.

Do alto do palacete do Barão da Conceição, que permanece de pé, na rua 15 de Novembro esquina com Voluntários da Pátria, observava-se tudo por telescópio. À frente das comemorações estava João Simões Lopes Filho, o Barão da Graça, que dias depois seria elevado a Visconde.

Quando o Tampico atracou, às 11h, o entusiasmo foi descrito pela imprensa como indescritível. Senhoras ofereceram flores ao capitão Frederick L. Bonnhoff; discursos exaltaram o progresso e a aproximação comercial com os Estados Unidos. A prancha lançada ao cais foi saudada como “ponte” simbólica para o futuro econômico da cidade.

Despedida no dia 23

Nos dias seguintes, a descarga foi acelerada pelos carros da Cia Ferro-Carril e Cais de Pelotas. No domingo, o navio recebeu “uma romaria popular”. E, ao carregar charque com destino a Pernambuco, em cerimônia ritualizada na charqueada de Heliodoro de Azevedo e Souza, consolidou-se como elo entre o produto-símbolo da economia local e o mercado externo.

O Tampico partiu em 23 de fevereiro. Deixou, porém, mais que rastros nas águas do São Gonçalo: inaugurou um novo capítulo na história portuária e comercial da “Princesa do Sul”.

Fonte: Porto Memória – Volume 2 (Pelotas, 2025), de Guilherme Pinto de Almeida

Há 90 anos

Plateia de rádio escolhe as melhores composições para o Carnaval de 1936

O Carnaval de Pelotas, realizado entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 1936, contou com novas marchinhas escritas por músicos da cidade. As composições foram reveladas no concurso que aconteceu no dia 5 de fevereiro, no Cine Teatro Capitólio.

Folia foi realizada entre 23 e 25 de fevereiro (Foto: Reprodução)

Estavam inscritos 12 concorrentes para o concurso organizado pela rádio Cultura. Foram julgadas quatro marchas e oito sambas, todos de autoria de maestros e amadores pelotenses.

Foi a plateia quem julgou o certame, lançando seus votos nos cupons que receberam junto com o ingresso do evento. A contagem dos votos foi feita por uma comissão formada por representantes da imprensa.

Quem ganhou

A quarta marcha apresentada, chamada Eu sei, com música de João Leal Brito e letra de Mário de Souza Machado, conquistou a plateia que concedeu à composição o primeiro lugar. O samba, sob o título de Samba do Fragata, com música do maestro Rubens Brito e letra de Mario de Souza Machado, foi a vencedora de sua categoria.

O segundo lugar ficou com a marcha Rainha do meu Carnaval, composta integralmente por Mauro Luz. Entre os sambas, Hás de voltar, de João Leal Brito e Mário de Souza Machado, foi considerado o segundo mais bonito.

Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense

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