150 anos
Em 11 de fevereiro de 1876, Pelotas viveu um de seus dias mais emblemáticos. Naquela manhã, às 6h, o palhabote norte-americano Tampico fundeou à barra do São Gonçalo, tornando-se o primeiro navio estrangeiro de grande porte a atracar no porto local após a desobstrução da barra, marco aguardado com ansiedade pelos homens de negócio, sobretudo os charqueadores.
O episódio é detalhado pelo pesquisador Guilherme Pinto de Almeida no livro Porto Memória – volume 2 (Pelotas, 2025). O segundo volume da série Porto Memória, uma realização da Associação Otroporto Indústria, pode ser acessado virtualmente no site otroporto.com.br ou direto no link sl1nk.com/3O2rD.
Segundo o autor, o Tampico, procedente de Nova Iorque e consignado à firma Antônio R. Cordeiro & Cia., trouxe 1,2 mil barricas de farinha de trigo. Mais que a carga, simbolizava a inserção efetiva de Pelotas na navegação de longo curso.
Cidade mobilizada

Navios de grande porte passaram a atracar após a desobstrução da barra (Foto: Projeto Porto Memória)
A chegada mobilizou a cidade. Rebocado inicialmente pelo vapor Helena e, depois, pelo São Pedro, o navio foi recebido por bandas de música (Lyra Pelotense, União e Santa Cecília), girândolas de foguetes e uma multidão que se acotovelava no cais, na praça Domingos Rodrigues e nos torreões dos casarões centrais.
Do alto do palacete do Barão da Conceição, que permanece de pé, na rua 15 de Novembro esquina com Voluntários da Pátria, observava-se tudo por telescópio. À frente das comemorações estava João Simões Lopes Filho, o Barão da Graça, que dias depois seria elevado a Visconde.
Quando o Tampico atracou, às 11h, o entusiasmo foi descrito pela imprensa como indescritível. Senhoras ofereceram flores ao capitão Frederick L. Bonnhoff; discursos exaltaram o progresso e a aproximação comercial com os Estados Unidos. A prancha lançada ao cais foi saudada como “ponte” simbólica para o futuro econômico da cidade.
Despedida no dia 23
Nos dias seguintes, a descarga foi acelerada pelos carros da Cia Ferro-Carril e Cais de Pelotas. No domingo, o navio recebeu “uma romaria popular”. E, ao carregar charque com destino a Pernambuco, em cerimônia ritualizada na charqueada de Heliodoro de Azevedo e Souza, consolidou-se como elo entre o produto-símbolo da economia local e o mercado externo.
O Tampico partiu em 23 de fevereiro. Deixou, porém, mais que rastros nas águas do São Gonçalo: inaugurou um novo capítulo na história portuária e comercial da “Princesa do Sul”.
Fonte: Porto Memória – Volume 2 (Pelotas, 2025), de Guilherme Pinto de Almeida
Há 90 anos
Plateia de rádio escolhe as melhores composições para o Carnaval de 1936
O Carnaval de Pelotas, realizado entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 1936, contou com novas marchinhas escritas por músicos da cidade. As composições foram reveladas no concurso que aconteceu no dia 5 de fevereiro, no Cine Teatro Capitólio.

Folia foi realizada entre 23 e 25 de fevereiro (Foto: Reprodução)
Estavam inscritos 12 concorrentes para o concurso organizado pela rádio Cultura. Foram julgadas quatro marchas e oito sambas, todos de autoria de maestros e amadores pelotenses.
Foi a plateia quem julgou o certame, lançando seus votos nos cupons que receberam junto com o ingresso do evento. A contagem dos votos foi feita por uma comissão formada por representantes da imprensa.
Quem ganhou
A quarta marcha apresentada, chamada Eu sei, com música de João Leal Brito e letra de Mário de Souza Machado, conquistou a plateia que concedeu à composição o primeiro lugar. O samba, sob o título de Samba do Fragata, com música do maestro Rubens Brito e letra de Mario de Souza Machado, foi a vencedora de sua categoria.
O segundo lugar ficou com a marcha Rainha do meu Carnaval, composta integralmente por Mauro Luz. Entre os sambas, Hás de voltar, de João Leal Brito e Mário de Souza Machado, foi considerado o segundo mais bonito.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense