Pelotas registrou, em 2025, uma alta de 18,81% no valor dos aluguéis residenciais, o terceiro maior aumento percentual entre as cidades analisadas pelo Índice FipeZAP. Apesar da elevação expressiva, o município segue como a cidade mais barata para viver de aluguel no levantamento nacional, com o menor valor médio do metro quadrado entre todas as localidades monitoradas.
Enquanto cidades como Teresina (PI), com alta de 21,81%, e Campinas (SP), com 19,92%, lideraram os reajustes ao longo do ano, Pelotas aparece logo atrás no ranking. Belém (17,62%) e Aracaju (16,73%) completam o top 5 das maiores altas percentuais em 2025.
Mesmo com esse avanço, o metro quadrado em Pelotas custa, em média, R$ 22,42, valor bem abaixo da média nacional, de R$ 50,98, o que mantém a cidade na posição de aluguel mais acessível entre os municípios pesquisados. Para efeito de comparação, o preço do metro quadrado chega a R$ 70,35 em Barueri (SP), a cidade mais cara do ranking, e a R$ 63,69 em Belém, capital com o aluguel mais elevado do país.
No cenário nacional, o levantamento aponta que o preço médio dos novos contratos de aluguel subiu 9,44% em 2025, mais que o dobro da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano em 4,26%.
Alta não indica reaquecimento do mercado
Para o economista Marcelo Passos, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o aumento registrado em Pelotas não significa um reaquecimento do mercado imobiliário. Segundo ele, o cenário ainda é marcado por juros elevados e baixo ritmo de novas construções.
“Eu não vejo um reaquecimento do mercado imobiliário. A gente ainda está em uma situação de juros altos e o ritmo de construções, não só em Pelotas, mas em outras cidades do Brasil, não apresenta retomada”, explica.
Na avaliação do economista, a alta dos aluguéis está mais relacionada a fatores estruturais do mercado local, como a concentração da propriedade de imóveis. “Nós temos poucos proprietários que concentram a oferta de imóveis para aluguel. Eles têm poder de mercado, ou seja, poder de fixação de preços”, afirma.
Marcelo Passos destaca que, além da concentração, há baixa oferta de imóveis novos, especialmente em áreas centrais da cidade, onde a procura costuma ser maior. “Existe pouca oferta de terrenos nas regiões centrais, e as pessoas preferem morar mais perto do centro. Tudo isso acaba encarecendo o valor dos aluguéis”, pontua.
Expectativa é de mudança apenas no médio prazo
Segundo o economista, uma mudança mais significativa nesse cenário só deve ocorrer quando houver queda efetiva dos juros, o que pode estimular novas construções e ampliar a oferta de imóveis. “A retomada mais forte do mercado imobiliário deve acontecer quando os juros baixarem de fato. Aí sim a oferta de imóveis tende a crescer e isso pode aliviar os preços dos aluguéis”, conclui.
