Há 105 anos
Após o apogeu e a posterior decadência do ciclo do charque, Pelotas precisou reinventar sua base econômica. Foi nesse contexto de transição, entre o final do século XIX e o início do século XX, que figuras empreendedoras tiveram papel decisivo na construção de novas atividades produtivas. Entre elas, destaca-se o empresário Júlio Hadler, cujo nome se confunde com a consolidação da indústria de curtumes na cidade. Em 1921, a figura do industrial era exaltada pela imprensa local, como um dos motores de uma cidade que não parava de crescer economicamente.
Fundado em 1º de janeiro de 1895 por Júlio Hadler e Guilherme Sassen, o Curtume tornou-se um marco da diversificação econômica pelotense. Instalado em prédio próprio na rua Manduca Rodrigues, 669, o estabelecimento integrou um movimento mais amplo que viu surgir, naquele período, indústrias desvinculadas do tradicional complexo saladeiril, como fábricas de tecidos, cervejarias e unidades de beneficiamento de couros, atraindo capital e mão de obra especializada, inclusive de imigrantes.

Hadler e família na Illustração Pelotense (Foto: Reprodução)
Após breve fase como Hadler & Sassen, o empreendimento passou a ter Júlio Hadler como único proprietário. O curtume operava com avançada estrutura para a época, incluindo um locomóvel Abolff de 40 cavalos de força, responsável por acionar diversas máquinas destinadas às diferentes etapas do beneficiamento do couro. Utilizava matéria-prima nacional, como cal, casca de goiabeira e aroeira, combinadas a produtos importados, alcançando elevado padrão de qualidade.
A produção anual chegava a cerca de 100 mil couros, que, após o processamento, resultavam em mercadorias avaliadas em aproximadamente 400 contos de réis. Os produtos, com destaque para os couros envernizados, abasteciam mercados em diversas regiões do país. O curtume empregava, então, cerca de 30 operários, refletindo sua relevância econômica e social.
Prêmios
O reconhecimento veio também por meio de premiações: primeiro prêmio na Exposição Pastoril de Pelotas, em 1900; medalha de ouro na Exposição Estadual de 1901; e o grande prêmio na Exposição Nacional de 1908. Décadas mais tarde, já a partir dos anos 1960, o Curtume Júlio Hadler S.A. entrou em nova fase, tendo como acionista majoritário o Grupo Podboy, de São Paulo, com direção local de Ângelo Figueiredo. Nesse período, destacou-se a expressiva produção de couros vermelhos destinados aos estofamentos dos automóveis Aero Willys, além do fornecimento para importantes fábricas de calçados do Rio Grande do Sul.
Por Pelotas
Em 1937, Pelotas contava com seis curtumes em operação. O mais antigo era o Gomes Silva & Cia., de 1869, mas o Curtume Júlio Hadler se consolidou como o maior. Conforme registra Fortunato Pimentel, em Aspectos Gerais de Pelotas (1940), a cidade tornou-se o principal centro de curtimento de couros vacuns do país, alicerçada em sua forte vocação pastoril e no intenso movimento do porto local, então o maior do Rio Grande do Sul.
Fontes: A louça e os modos de vida urbanos na Pelotas oitocentista (2009), Luciana da Silva Peixoto, Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas; Blog Paulo Franke; Revista Illustração Pelotense
Há 50 anos
Escritório Regional da Cohab-RS promete entregar mais de 400 casas

Primeiros núcleos no município (Foto: Reprodução)
O prazo era de no máximo seis meses, informou a chefia do escritório regional da Cohab-RS. Essa foi a notícia que chegou à comunidade sobre a entrega de mais 432 novas casas populares em Pelotas.
As residências estavam sendo construídas na zona próxima ao Aeroporto de Pelotas e ao Jockey Clube, conhecida atualmente como Cohab Tablada. Para garantir, o chefe do escritório, Anaor Misette, recomendou que os inscritos comparecessem aos escritórios locais, até 90 dias antes da entrega, para atualizarem cadastros. Paralelamente, novos inscritos estavam sendo aceitos.
Estudo técnico
Também estava previsto para março a construção do Centro Polivalente de Atendimento Integrado, com o objetivo de combater o abandono na infância. No dia 15 de janeiro de 1976, Pelotas recebeu técnicos da Secretaria de Trabalho e Ação Social com o objetivo de fazerem um estudo de uma área próxima ao núcleo local da Cohab, onde seria implantado o Centro.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 90 anos
Clube Chove Não Molha se despede da rainha de 1935
A diretoria do Clube Cultural Chove Não Molha anunciou na imprensa local que abriria seu salão no dia 18 de janeiro de 1936 para conhecer a nova rainha da entidade. O evento prometia um grande baile, antecipando as atividades carnavalescas.

Noemy passou o título (Foto: Reprodução)
A soberana dos chovianos em 1935 foi Noemy de Oliveira. A pelotense passaria a coroa durante o evento para a sua sucessora, a Rainha de 1936, que seria aclamada na festividade.
Antes de passar o título, Noemy seria homenageada. “Receberá as devidas honras por seu reinado, o qual foi uma verdadeira vitória, que deixou em cada choviano uma lembrança do seu mavioso sorriso e que sempre perdurará com uma eterna recordação”, relatou a diretoria à imprensa.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense