O Oceantec – Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) -apresenta, nesta quinta-feira (15), sua adesão ao Aura Sul Wind, primeiro projeto-piloto de energia eólica offshore flutuante da América Latina. Coordenado pela empresa japonesa JB Energy, o projeto está confirmado para Rio Grande e encontra-se na Fase 1.
O projeto consiste na instalação de uma plataforma flutuante de concreto a aproximadamente 60 quilômetros da costa. A distância visa otimizar o desempenho energético, evitando áreas de maior sensibilidade ambiental. A estrutura é baseada em uma tecnologia desenvolvida pela JB Energy e integra uma turbina eólica de 18 MW.
Atualmente, o projeto está na fase de estudos preliminares de engenharia, avaliação locacional e início do licenciamento ambiental. Os próximos passos envolvem a instalação de uma boia meteoceanográfica, o aprofundamento dos estudos e o início do diálogo com as comunidades costeiras e pesqueiras. A fase de construção e testes do piloto está prevista para iniciar a partir de 2029, com a entrada em operação comercial projetada para após 2032.
Potencial
Conforme representantes da JB Energy, Rio Grande foi selecionada a partir de critérios estratégicos que combinam atributos naturais, logísticos, industriais e ambientais. “A costa do RS apresenta um regime de ventos consistente e de alta qualidade, com estudos indicando fatores de capacidade superiores a 60%”, afirmaram em nota.
Quanto à escolha do Oceantec, a empresa a avalia como estratégica, visto que a presença da universidade cria um ambiente de coexistência entre pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e operação industrial. “A proximidade com a Furg garante acesso direto a conhecimento científico, laboratórios, pesquisadores e programas de pós-graduação, além de facilitar a formação e a retenção de capital humano qualificado”, declararam.
Também foi destacada a localização de Rio Grande em articulação com o complexo portuário e industrial, bem como o modelo de governança do Parque Tecnológico, que promove a integração entre universidade, empresas, poder público e outros atores institucionais.
Impactos
De acordo com os representantes, os dados gerados pelo projeto em Rio Grande serão estruturantes para o desenvolvimento da eólica offshore no Brasil, por se tratar de um ambiente de teste em escala real. “Ao transformar hipóteses em evidência empírica, contribui diretamente para criar previsibilidade regulatória e atrair investimentos para projetos comerciais futuros”, explicaram.
A estrutura é vista como um elemento-chave para a formação de uma cadeia industrial do setor no Estado. Além disso, os representantes projetam que o setor, em escala comercial, tem potencial para mais que dobrar a economia do RS a longo prazo. Também apontam para a geração de milhares de empregos durante a implantação dos parques comerciais, bem como de postos permanentes nas áreas de operação e manutenção.
A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira (PT), destaca ainda a relevância do projeto no contexto da transição energética e da produção de energia limpa. “Temos riquezas que precisamos aproveitar melhor, e são as riquezas da natureza. Precisamos olhar, cuidar e estimular para que isso aconteça e para que possamos ter um planeta melhor no futuro”, afirma. A gestora também ressaltou o contrato com a empresa Fontes Verdes, produtora de hidrogênio verde e amônia verde, assinado na terça-feira (13).
