Safra do camarão deve ter cenário mais favorável no litoral sul

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Safra do camarão deve ter cenário mais favorável no litoral sul

Expectativa é positiva após anos de prejuízos, mas incertezas ainda cercam a temporada

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Safra do camarão deve ter cenário mais favorável no litoral sul
Apesar do otimismo, ainda há apreensão entre os pescadores (Foto: Jô Folha)

O litoral sul do Estado se prepara para o início da safra do camarão, marcada para 1º de fevereiro. Após dois anos marcados por chuvas intensas e enchentes, representante de comunidade pesqueira aponta para um cenário mais positivo em 2026. Atualmente, a Zona Sul reúne cerca de 3 mil pescadores artesanais liberados ou licenciados para a atividade, distribuídos em cinco colônias nos municípios de Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e São Lourenço do Sul.

Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z-1, Nilton Machado, as condições climáticas recentes favoreceram a entrada antecipada das larvas no estuário. O baixo volume de chuvas, a boa salinidade da água e a atuação de ventos favoráveis contribuíram para esse cenário. “Hoje nós temos uma quantidade razoável de camarão. Camarão bom, mas ainda miúdo”, afirma.

Apesar do otimismo, ainda há apreensão entre os pescadores. No Pontal da Barra do Laranjal, o pescador artesanal Manuel Bernardes teme que novas chuvas prejudiquem a safra. “A água ainda não está bem salgada. Tem chovido muito lá para cima. É uma sequência de safras que não vêm sendo muito boas. E, se chove muito, as tainhas também não vêm”, relata.

Pesca predatória

Além do clima, a pesca predatória segue como uma das principais preocupações. A prática ilegal utiliza redes proibidas e captura camarão ainda miúdo, prejudicando o meio ambiente e os pescadores que aguardam a liberação oficial. “Inviabiliza a safra. O camarão miúdo chega ao consumidor com um preço muito abaixo, enquanto o pescador não pode pescar porque a safra ainda não abriu”, afirma Machado. Ele reforça que a falta de fiscalização é decisiva para o sucesso da temporada.

Preço do camarão

O preço do camarão também gera preocupação. Machado explica que a região perdeu capacidade de comercialização e industrialização, fazendo com que cerca de 80% a 90% da produção seja vendida para compradores de Santa Catarina, o que reduz o valor pago ao pescador. “Isso causa empobrecimento dos pescadores e dos municípios, porque quando a renda fica aqui, ela circula na economia local”, diz.

Segundo o presidente, a região carece de indústrias de pesca. “Rio Grande já teve cerca de 30 indústrias de pesca. Precisamos de um projeto de Estado para recuperar isso e escoar a produção de camarão, tainha, corvina e outras pescarias que garantem a sobrevivência da pesca artesanal”, destaca.

Crédito e seguro-defeso

Machado também chama atenção para a dificuldade de acesso ao crédito e o atraso no pagamento do seguro-defeso. Segundo Machado, mais de 300 pescadores de Rio Grande e 500 de São José do Norte ficaram sem receber qualquer parcela do benefício. O pescador Manuel Bernardes está entre eles. “O meu está atrasado desde outubro. E para sustentar a família? A gente vai para um lado, vai para outro. Fica muito complicada a situação”, relata.

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