Passadas duas semanas do Ano Novo, a movimentação econômica na orla dos balneários Valverde e Santo Antônio, no Laranjal, reflete um início de mês marcado pela instabilidade do tempo, mas também por expectativas positivas entre quem depende do veraneio para garantir renda.
O céu nublado e o vento frequente afastaram parte dos banhistas em alguns dias, especialmente após o Réveillon, mas o sol que apareceu na tarde de sábado trouxe novo fôlego ao comércio local.
Para comerciantes fixos e ambulantes, o clima segue sendo o principal fator de influência no fluxo de consumidores. Ainda assim, muitos avaliam a temporada de 2026 de forma equilibrada, sem grandes frustrações. “Às vezes tá bom, outros dias tá ruim. Mas sempre dá pra vender alguma coisa”, resume a artesã Dalmira da Costa Islabão, que há cerca de 30 anos trabalha na praia do Laranjal com peças de crochê, pulseiras e acessórios feitos à mão.
Integrante de uma associação de economia solidária, ela destaca que o vento tem sido o maior obstáculo neste início de janeiro. “Esse negócio de muito vento não tem como. Tem dia que a gente tem que segurar a mesa com saco de areia”, relata. Mesmo assim, Dalmira mantém a expectativa de melhora. “Agora o Carnaval sempre faz diferença. Sempre tem mais movimentação.”
Entre os ambulantes, a avaliação também é de cautela, mas sem tom negativo. O paraibano Francisco Linhares, morador de Pelotas há oito anos, vende redes, mantas e outros produtos artesanais trazidos da Paraíba. Segundo ele, apesar do tempo instável, as vendas seguem dentro do esperado. “Está boa. Hoje (sábado) está mais calmo por causa do tempo, mas as vendas estão boas. Não tenho do que reclamar”, afirma. Linhares ressalta a importância dos eventos para aquecer o comércio. “Réveillon, Natal e agora o Carnaval melhoram bem mais. Movimenta bastante gente na praia”, diz.
Cenário semelhante
Nos estabelecimentos fixos, o cenário é semelhante. Proprietária de um restaurante na orla, Sandra Fonseca afirma que o período pós-Natal tem sido positivo, inclusive com a presença de turistas estrangeiros. “Aumenta bastante o movimento. Tem várias pessoas de outros lugares, até do Uruguai e da Argentina”, conta.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a avaliação é favorável. “Está bem bom, sim. O tempo influencia, claro, mas no geral está bem bom.” Ela também destaca o impacto de eventos culturais. “Esse festival do Sesc influencia bastante”, observa Sandra.
Ritmo lento
Nem todos, porém, enxergam o mesmo ritmo. Há quem sinta o início de janeiro mais lento. O proprietário de um trailer de lanches na orla, com mais de 20 anos de atuação no Laranjal, relata que ainda não conseguiu igualar as vendas do ano passado. “O pessoal está sem dinheiro”, analisa Maurício de Souza, que atribui, talvez, aos gastos de final de ano. A percepção, segundo ele, é de um movimento mais fraco, especialmente nas manhãs, com muitos pontos abrindo apenas mais tarde. “Eu abro lá pelas 11h, se está bom fico até umas 23h”, diz.
Apesar das diferenças nas avaliações, o sentimento predominante entre os trabalhadores da praia é de que a temporada segue em aberto. Com a previsão de novos dias de sol e a proximidade de eventos como o Carnaval, a expectativa é de recuperação gradual no fluxo de pessoas e no faturamento. Para quem vive do verão, o início instável não anula a confiança de que os próximos fins de semana ainda podem garantir bons negócios no Laranjal.
