Passar o dia na praia é um dos programas preferidos do verão. No entanto, as altas temperaturas aumentam significativamente o risco de contaminação dos alimentos, o que se reflete no crescimento dos casos de intoxicação alimentar nesta época do ano. Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal estão entre os sintomas mais comuns e, em situações mais graves, o quadro pode evoluir para desidratação, exigindo atendimento médico.
Para reduzir os riscos, especialistas alertam que a prevenção começa ainda em casa, com cuidados simples relacionados à escolha, transporte, higiene e conservação dos alimentos. A orientação é optar por preparações mais seguras e evitar alimentos altamente perecíveis, principalmente quando expostos ao calor por longos períodos.
A nutricionista do Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura, e doutora em Saúde e Comportamento, Letícia Reis Pereira, ressalta que os alimentos levados de casa devem ser transportados em recipientes limpos, bem vedados e, de preferência, com travas de segurança. “Sacos do tipo zip-lock ajudam a evitar vazamentos e contaminações cruzadas. Bebidas devem ser armazenadas em garrafas térmicas, desde que corretamente higienizadas antes do uso”.
No caso das frutas, a recomendação da nutricionista é levá-las inteiras, evitando o corte prévio, que aumenta o risco de proliferação de micro-organismos. Quando armazenadas em potes, estes devem estar limpos, secos e bem fechados. Opções menos perecíveis, como biscoitos integrais, snacks secos e sanduíches simples, sem molhos, são consideradas mais seguras.
Comida só de casa
Quem frequenta a praia com crianças costuma redobrar os cuidados. A representante comercial Carolina Herzog da Rosa, 34, conta que prefere levar alimentos de casa para evitar imprevistos. “A gente traz alimentos que não estragam fácil. Quando tem caixa térmica, usamos gelo para manter água e sucos das crianças. Também cuidamos bastante da embalagem, para não ficar nada exposto”, relata.
Aumento de casos no verão

O aumento das infecções intestinais no verão está diretamente relacionado ao consumo de alimentos mal conservados (Foto: Divulgação)
Segundo a médica responsável técnica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Areal, Maria Andrea Guadalupe, o aumento das infecções intestinais no verão está diretamente relacionado ao consumo de alimentos mal conservados. “As altas temperaturas favorecem a proliferação de bactérias e vírus quando os alimentos não são armazenados, refrigerados ou manipulados de forma adequada”, explica.
Os sintomas mais frequentes incluem diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal e, em alguns casos, febre. Em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida, o risco é maior. “Nesses grupos, o quadro pode evoluir de forma mais grave, principalmente com desidratação”, alerta a médica. Diante dos primeiros sinais, a orientação é iniciar o uso de soro de reidratação oral (SRO) e, quando indicado, probióticos para auxiliar na recuperação da flora intestinal.
Dicas
Tire suas dúvidas com os especialistas Lysandro Alsina Nader, médico gastroenterologista do HUSFP/UCPel, com colaboração do gastroenterologista Lucas Freire, preceptor da residência de gastroenterologia do HE-UFPel e médico endoscopista do HUSFP.
Quais as principais consequências de ingerir alimentos mal conservados no verão?
Durante o verão, as altas temperaturas propiciam a proliferação acelerada de bactérias em alimentos mal conservados. A consequência mais frequente é a infecção intestinal, com sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal e febre. Em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, pode ocorrer desidratação significativa, exigindo atendimento médico.
Quais alimentos devem ser evitados em dias muito quentes, principalmente na praia?
Deve-se ter cautela com alimentos muito perecíveis, como carnes em geral, especialmente peixes e frutos do mar, quando não há refrigeração adequada ou quando são preparados muito tempo antes do consumo. Preparações com muitos ingredientes e molhos, como sanduíches elaborados, saladas com maionese e pratos muito manipulados, apresentam maior risco de contaminação, sobretudo quando expostos ao calor. O ideal é consumir os alimentos o mais próximo possível do preparo.
Qual o principal erro ao levar comida de casa para a praia?
O erro mais comum é a manutenção inadequada da temperatura dos alimentos. Muitos permanecem na chamada “zona de perigo”, entre 5 °C e 60 °C, faixa em que a proliferação bacteriana é acelerada. Mesmo com caixas térmicas, é frequente a falta de gelo ou a exposição direta ao sol. Alimentos refrigerados não devem ficar fora da refrigeração por mais de duas horas. O uso correto de bolsas térmicas, gelo suficiente e o consumo rápido dos alimentos reduzem o risco de contaminação.
Quais os agravamentos possíveis de uma infecção intestinal?
Além dos sintomas iniciais, a infecção pode evoluir para desidratação. Dependendo da gravidade, podem surgir fraqueza intensa, desmaios, pressão baixa e alterações nos eletrólitos. Febre persistente, sangue nas fezes e dor abdominal intensa são sinais de alerta. A principal medida é manter hidratação adequada e procurar atendimento médico se os sintomas persistirem ou ocorrerem em crianças e idosos.
Orientações técnicas para o consumo seguro de alimentos na praia

Opções menos perecíveis, como biscoitos integrais, snacks secos e sanduíches simples, sem molhos, são consideradas mais seguras (Foto: Divulgação)
De acordo com a nutricionista do Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura, e doutora em Saúde e Comportamento, Letícia Reis Pereira, o consumo de alimentos durante o verão exige atenção redobrada, especialmente em ambientes quentes e úmidos, como a praia. A Vigilância Sanitária segue legislações específicas, como a RDC nº 216/2004, que orienta a fiscalização de estabelecimentos, inclusive os localizados à beira-mar.
Entre os principais cuidados está o controle de temperatura dos alimentos. Em dias de calor, é fundamental manter os produtos refrigerados adequadamente. “Para quem pretende levar alimentos à praia, a recomendação é utilizar caixas térmicas com gelo, evitando preparações que estragam com facilidade, como maionese, laticínios e carnes”, alerta.
A higienização das mãos também é um cuidado essencial. “Sempre que possível, deve-se lavar as mãos antes do manuseio ou consumo dos alimentos. Na ausência de água e sabão, o uso de álcool em gel é recomendado para reduzir a carga microbiana”, indica.
Ao comprar alimentos em quiosques, restaurantes ou com ambulantes, a orientação é observar as condições do local. “É importante verificar se o ambiente está limpo, se os manipuladores utilizam uniforme adequado, mantém os cabelos presos, não usam adornos e se há pia para a correta higienização das mãos. Esses cuidados indicam boas práticas de manipulação.
Em relação a bebidas e drinks vendidos na orla, é fundamental observar o preparo e a procedência dos produtos, além das condições de higiene do local e dos manipuladores. Embora casos de adulteração sejam raros na região, a atenção do consumidor é uma medida preventiva importante.
Quanto ao consumo de alimentos vendidos por ambulantes, a orientação é optar por produtos que sofram pouca manipulação e estejam íntegros, já que nem sempre esses trabalhadores dispõem de estrutura adequada para higienização das mãos, especialmente quando também manuseiam dinheiro.
A especialista destaca a importância de verificar a procedência dos alimentos comercializados, especialmente doces e produtos expostos em caixas ou balcões. “Nem todo produtor precisa de alvará sanitário para venda direta ao consumidor, mas quando o alimento é revendido por terceiros, é obrigatória a regularização sanitária”, destaca.
Segundo Letícia, todos os ambulantes cadastrados para atuar no Laranjal e no Balneário dos Prazeres passam por um processo de avaliação e fiscalização. Mesmo com a flexibilização de exigências prevista na Lei da Liberdade Econômica, os estabelecimentos continuam sendo cadastrados e fiscalizados pela Prefeitura, garantindo maior segurança à população.
