Festival da Igualdade Racial ocupa Centro de Pelotas em combate ao racismo

primeira edição

Festival da Igualdade Racial ocupa Centro de Pelotas em combate ao racismo

Primeira edição reúne ações educativas, campanha de denúncia e shows de artistas negros

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Atualizado sexta-feira,
14 de Novembro de 2025 às 18:16

Festival da Igualdade Racial ocupa Centro de Pelotas em combate ao racismo
(Foto: Henrique Risse)

O Centro de Pelotas está sendo palco nesta sexta-feira (14), da primeira edição do Festival da Igualdade Racial, um evento que marca o Mês da Consciência Negra no município. A iniciativa, promovida pela recém-criada Secretaria Municipal de Igualdade Racial (Smir) em parceria com o Sesc, utilizou um recurso de R$ 58 mil oriundo de emenda parlamentar para fomentar a integração, o combate e a educação antirracista.

A programação se estende da tarde à noite, sendo o ponto alto o lançamento da campanha “É racismo? Denuncie”. O secretário Júlio Domingues destaca que a ação visa aumentar a conscientização sobre a importância de formalizar as denúncias, buscando a punição e reparação.

Segundo dados do Censo de 2022 do IBGE, a população de Pelotas é majoritariamente branca (75,9%), mas possui uma parcela significativa de pretos e pardos (11,9% e 12%, respectivamente). Diante deste contexto, surge a necessidade de políticas de combate ao racismo e valorização, especialmente considerando que a cidade tem uma presença histórica marcante da população negra.

A dimensão educativa foi central. Integrantes do setor de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) da Secretaria Municipal de Educação (SME) ministraram uma aula magna sobre a luta contra o racismo. A professora Andréa da Silva, que levou alunos, ressalta a importância de ver órgãos públicos trabalhando em conjunto com as escolas, enquanto valida o trabalho antirracista feito em sala de aula. “A gente vê que não está trabalhando sozinho”.

Cultura negra em destaque

A partir das 16h, o Largo do Mercado foi tomado por apresentações artísticas que celebraram a riqueza cultural negra de Pelotas. Artistas como Preto de Sapato, Laddy Dee, Filhas de Obá, Samba de Terreiro, Leh Moraes e Maurel Duarte subiram ao palco, exibindo ritmos como samba e rap, sob a animação do DJ Nenê Konfirmado.

O secretário Domingues enfatiza que a cultura é uma das mais marcantes contribuições da população negra da cidade. “A riqueza cultural da cidade de Pelotas é um reflexo da contribuição negra no nosso processo de construção. A gente tem artistas excelentes das mais variadas áreas”, diz.

Ocupação de espaços e luta contínua

O evento não apenas celebra a cultura, mas também simboliza a ocupação de espaços historicamente negados. Estudantes de jornalismo e direito da UFPel, Luísa Costa e Daniel Almeida, presentes no local, frisam a importância de pessoas negras estarem no centro histórico da cidade, fomentando o debate sobre a exclusão social e a identidade negra da cidade. “É um resgate histórico, uma compensação do período escravocrata”, esclarece Luísa.

Próximos passos

Além do festival, a Smir segue com ações estratégicas. Em novembro, a pasta inaugurará uma horta comunitária no bairro Simões Lopes, parte do projeto Benditas Folhas, que visa valorizar os saberes dos povos de terreiro, indígenas e quilombolas, reforçando a luta por um futuro mais antirracista.

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