O Centro de Pelotas está sendo palco nesta sexta-feira (14), da primeira edição do Festival da Igualdade Racial, um evento que marca o Mês da Consciência Negra no município. A iniciativa, promovida pela recém-criada Secretaria Municipal de Igualdade Racial (Smir) em parceria com o Sesc, utilizou um recurso de R$ 58 mil oriundo de emenda parlamentar para fomentar a integração, o combate e a educação antirracista.
A programação se estende da tarde à noite, sendo o ponto alto o lançamento da campanha “É racismo? Denuncie”. O secretário Júlio Domingues destaca que a ação visa aumentar a conscientização sobre a importância de formalizar as denúncias, buscando a punição e reparação.
Segundo dados do Censo de 2022 do IBGE, a população de Pelotas é majoritariamente branca (75,9%), mas possui uma parcela significativa de pretos e pardos (11,9% e 12%, respectivamente). Diante deste contexto, surge a necessidade de políticas de combate ao racismo e valorização, especialmente considerando que a cidade tem uma presença histórica marcante da população negra.
A dimensão educativa foi central. Integrantes do setor de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) da Secretaria Municipal de Educação (SME) ministraram uma aula magna sobre a luta contra o racismo. A professora Andréa da Silva, que levou alunos, ressalta a importância de ver órgãos públicos trabalhando em conjunto com as escolas, enquanto valida o trabalho antirracista feito em sala de aula. “A gente vê que não está trabalhando sozinho”.
Cultura negra em destaque
A partir das 16h, o Largo do Mercado foi tomado por apresentações artísticas que celebraram a riqueza cultural negra de Pelotas. Artistas como Preto de Sapato, Laddy Dee, Filhas de Obá, Samba de Terreiro, Leh Moraes e Maurel Duarte subiram ao palco, exibindo ritmos como samba e rap, sob a animação do DJ Nenê Konfirmado.
O secretário Domingues enfatiza que a cultura é uma das mais marcantes contribuições da população negra da cidade. “A riqueza cultural da cidade de Pelotas é um reflexo da contribuição negra no nosso processo de construção. A gente tem artistas excelentes das mais variadas áreas”, diz.
Ocupação de espaços e luta contínua
O evento não apenas celebra a cultura, mas também simboliza a ocupação de espaços historicamente negados. Estudantes de jornalismo e direito da UFPel, Luísa Costa e Daniel Almeida, presentes no local, frisam a importância de pessoas negras estarem no centro histórico da cidade, fomentando o debate sobre a exclusão social e a identidade negra da cidade. “É um resgate histórico, uma compensação do período escravocrata”, esclarece Luísa.
Próximos passos
Além do festival, a Smir segue com ações estratégicas. Em novembro, a pasta inaugurará uma horta comunitária no bairro Simões Lopes, parte do projeto Benditas Folhas, que visa valorizar os saberes dos povos de terreiro, indígenas e quilombolas, reforçando a luta por um futuro mais antirracista.
