Região soma 24 mortes em rodovias nos primeiros 100 dias de 2026

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Região soma 24 mortes em rodovias nos primeiros 100 dias de 2026

Acidentes envolvem ônibus, motos, pedestres e ciclistas; atropelamentos e colisões com motociclistas são os casos mais recorrentes

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Região soma 24 mortes em rodovias nos primeiros 100 dias de 2026
Choque entre ônibus intermunicipal e caminhão deixou 11 vítimas fatais em janeiro (Foto: Divulgação)

A Zona Sul do Rio Grande do Sul chega aos primeiros 100 dias de 2026 com um número preocupante de vítimas nas rodovias da região. Entre 1º de janeiro e 9 de abril, 24 pessoas morreram em acidentes registrados em estradas federais e estaduais, o que representa quase uma morte a cada quatro dias.

O balanço inclui ocorrências em rodovias como a BR-116, BR-392, BR-293 e ERS-265, além de outros trechos que integram a malha rodoviária da região. Os registros mostram diferentes tipos de acidentes, mas revelam alguns padrões que se repetem: colisões envolvendo motocicletas, atropelamentos e saídas de pista.

O caso mais grave ocorreu logo no início do ano. Em 2 de janeiro, uma colisão entre um ônibus de linha e uma carreta carregada com areia deixou 11 mortos no km 491 da BR-116, em Pelotas. O impacto aconteceu após um caminhão parado sobre a pista provocar uma manobra de desvio, resultando na invasão da pista contrária e na batida frontal.

Cinco vítimas motociclistas

Entre os 24 óbitos registrados até agora, motociclistas aparecem em pelo menos cinco episódios, tanto em colisões com veículos maiores quanto em quedas.

Em fevereiro, uma motociclista de 23 anos morreu após colidir com uma caminhonete ao ingressar no km 104 da ERS-265 a partir de uma propriedade rural, em Canguçu. No fim do mesmo mês, um pelotense de 36 anos morreu após ter a motocicleta atingida na traseira por um carro no km 521 da BR-116.

Já em março, outro homem faleceu após colidir com um caminhão no km 171 da BR-392, na localidade de Cansa Cavalo, região de divisa entre Canguçu, Piratini e Santana da Boa Vista. Um novo caso aconteceu no início de abril, quando um motociclista de 48 anos morreu em uma colisão transversal entre moto e carro na avenida Três de Maio (km 0,3 da BR-392-B), antes da ponte sobre o arroio Fragata, ainda em Pelotas.

Somente em fevereiro dois motociclistas morreram em acidentes (Foto: Divulgação)

Além das colisões, também houve casos de queda de motocicleta, como o acidente registrado em 26 de fevereiro no km 118 da BR-392, em Canguçu. O condutor chegou a ser socorrido e permaneceu internado por quase duas semanas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em março.

Atropelamentos preocupam

Outro padrão que chama atenção no levantamento é o número de atropelamentos em rodovias, muitos deles envolvendo pedestres que circulavam próximos às pistas.

No dia 22 de fevereiro, dois pedestres morreram após serem atropelados no km 112 da BR-392, em Canguçu, nas proximidades do Posto Bettin. Conforme apurado na ocasião, havia uma confraternização em uma comunidade próxima e diversas pessoas caminhavam às margens da rodovia.

Casos semelhantes voltaram a ocorrer nas semanas seguintes. Em 29 de março, um pedestre morreu após ser atingido por dois veículos no km 565 da BR-116, em Pedro Osório. Já em 3 de abril, outro homem perdeu a vida ao ser atropelado no km 49,9 da BR-392, em Rio Grande.

Também houve vítimas entre ciclistas, como a mulher de 48 anos que morreu após ser atropelada no km 18 da BR-392, em Rio Grande, no dia 6 de março.

Saídas de pista e colisões laterais

Os registros também incluem saídas de pista, muitas vezes associadas à perda de controle do veículo. Foi o caso do acidente registrado em Pinheiro Machado, em 24 de fevereiro, quando uma Renault Duster saiu da pista e caiu em um barranco no km 121 da BR-293. Uma passageira de 41 anos morreu no local.

Outro caso marcante ocorreu no mesmo dia 22 de fevereiro, quando um menino uruguaio, de dez anos, morreu após o capotamento de um veículo no km 507,1 da BR-116, em Pelotas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, ele era o único ocupante do carro que não utilizava cinto de segurança.

Mudança na gestão das rodovias

Parte dos acidentes também ocorreu em meio a uma mudança importante na administração das rodovias da região. Em 4 de março, foi encerrada a concessão da Ecovias Sul, que era responsável por 459,6 quilômetros do Polo Rodoviário de Pelotas (BR-392 e BR-116).

Desde então, o trecho passou a ser administrado provisoriamente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), até que uma nova concessão seja definida. Com o fim do contrato, serviços como atendimento mecânico e ambulâncias da concessionária deixaram de operar.

Agora, em casos de acidentes ou emergências, o atendimento depende da atuação conjunta do Samu, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária Federal (PRF), acionados pelos telefones 192 ou 191.

Duas mortes desde o fim da concessão

Segundo o chefe da delegacia da PRF em Pelotas, Daniel Pitrez, os dados operacionais do primeiro mês sem a concessão, entre 4 de março e 4 de abril, apontam que foram registrados 34 acidentes de trânsito nas rodovias federais da região. Desse total, oito não tiveram vítimas, 24 resultaram em pessoas feridas e dois terminaram em morte, além de 10 ocorrências classificadas como graves.

Número de mortes preocupa

Para a especialista em transporte terrestre Raquel Holz, o número de mortes registrado nos primeiros meses do ano acende um alerta. “Ter quase uma morte a cada quatro dias indica problemas estruturais relacionados à velocidade, à infraestrutura e ao uso das vias”, afirma. Ela destaca ainda que muitas dessas ocorrências poderiam ser evitadas com ações integradas de engenharia, fiscalização e educação no trânsito.

Usuários mais vulneráveis

Holz observa o padrão recorrente envolvendo motociclistas, pedestres e ciclistas, considerados usuários mais vulneráveis das rodovias. Segundo ela, atropelamentos costumam ocorrer em trechos de transição entre rodovias e áreas urbanas, onde há circulação de moradores sem travessias seguras.

Engenharia pode reduzir riscos

Do ponto de vista da engenharia de tráfego, a especialista aponta fatores como velocidade incompatível com o projeto da via, falta de sinalização e conflitos entre diferentes tipos de usuários como elementos que aumentam o risco de acidentes graves.

Entre as medidas possíveis para reduzir mortes estão redução de velocidade em trechos críticos, reforço da sinalização, instalação de barreiras de proteção e criação de travessias seguras para pedestres e ciclistas. Segundo Holz, a combinação dessas ações ajuda a construir rodovias mais seguras mesmo diante de erros humanos.

Localidades das mortes ocorridas nas rodovias

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