O amor (não romântico)

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

O amor (não romântico)

Por

Temos o costume de achar que nossa maior fonte de amor se encontra no amor romântico. Que se encontra no matrimônio. Ficamos cegos às tantas pessoas que nos entregam todo o seu carinho incondicionalmente — além dos nossos pais.

Recentemente, eu estava conversando com uma amiga nas escadarias da Casa de Bruno Lima (a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas), e ela me contou sobre sua tia, que praticamente a criou. Era espirituosa, empática e sempre se fazia presente. Tinha ouvidos e abraços. Era a pessoa que tinha “todo o amor do mundo” para todos os seus afilhados.

Os olhos da minha colega se encheram de lágrimas. Mas, no final, ela completou:

— A ironia é que ela era cheia de amor, mas nunca casou.

Eu sabia quem era aquela pessoa. Conhecia aquela mulher. Existem muitas dessa espécie rara. Ela era minha dinda.

Minha dinda ia todos os dias me ver no hospital quando estive internada e, quando precisava, madrugava. Nos buscava para almoçar toda semana. Compra chocolates para nós — incluindo meu namorado. Me manda mensagens perguntando como estou quase todos os dias, porque ela realmente se importa. Todos os meus aniversários foram decorados por ela, até hoje, com meus 21 anos.

Ela tem todo o amor do mundo e o cultiva diariamente.

Minha única tristeza não é o fato de ela nunca ter se casado — o que, inclusive, acho muito sábio nos dias atuais. É saber que talvez eu nunca encontre uma dinda como ela para meus futuros filhos.

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