Inclusão social e segurança alimentar são as premissas do projeto “Do Canteiro ao Prato”, que inicia os trabalhos em Pelotas. Lançada oficialmente nesta sexta-feira (10) pela Otroporto Indústria Criativa, a iniciativa irá unir uma horta urbana para a produção de alimentos orgânicos, formação técnica gratuita para jovens de escolas públicas e distribuição gratuita de alimentos para a comunidade em vulnerabilidade. Integram a realização do projeto o Centro de Convívios dos Meninos do Mar (CCMar/Furg) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Em um espaço de cerca de 5,3 mil metros quadrados, localizado na região portuária de Pelotas, que antes era utilizado para depósito de resíduos, foi construída uma horta com produção de cerca de 30 tipos de hortaliças, legumes e frutas diferentes, além de duas estufas, três reservatórios de água com capacidade para 10 mil litros e espaço para aulas e oficinas. Está prevista a construção de um campo de futebol, uma pracinha e um espaço para a coleta de resíduos.
“Trabalhamos unidos em uma proposta, que surgiu no CCMar da Furg, e há muito tempo a gente visualiza esse espaço como sendo a nossa horta, como potente na transformação da orla portuária e da realidade de muitas vidas, a partir do compartilhamento do saber”, diz o diretor de projetos da Otroporto, Duda Keiber.
Atualmente, sete pessoas trabalham no local e são produzidos mais de 150 quilos de hortaliças por mês. Tudo o que é colhido é distribuído aos moradores do entorno do projeto, para a cozinha solidária Satolep Invisível, Instituto Hélio de Angola e para o Canto de Conexão Kilombo Urbano.
O período de execução do “Do Canteiro ao Prato” é de três anos e tem o apoio da Sagres e CMPC. O projeto é executado desde 2017 no CCMar/Furg, em Rio Grande, onde já formou 100 anos e produziu toneladas de alimentos que abastecem a própria instituição, entidades locais e a comunidade. Em Rio Grande, o apoio é da Yara Brasil Fertilizantes e da Sagres.
Formação Profissional
O projeto também contempla a execução do curso de Agricultura e Meio Ambiente, que será gratuito e destinado para jovens entre 16 e 20 anos dos colégios Dom João Braga e Félix da Cunha. As atividades acontecerão no turno inverso da escola e os alunos receberão vale-transporte.
Serão formados 75 jovens durante o período, sendo 15 por semestre letivo. Eles estarão aptos a trabalharem em empresas agrícolas e de jardinagem, em setores de hortifrutis em supermercados, a auxiliarem em projetos de paisagismo e de licenciamento ambiental e também a montar sua própria horta.
Integrando a produção de alimentos saudáveis com a formação profissional, o “Do Canteiro ao Prato” busca promover a sustentabilidade e a responsabilidade social.
A coordenação técnica do projeto em Pelotas é do professor Ernesto Martinez, acompanhado de uma equipe formada por professores, técnicos em agroecologia e auxiliares de produção.
Financiamento
Viabilizado com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o “Do Canteiro ao Prato” utiliza recursos vindos de acordos (TACs) ou condenações, onde indenizações e multas por danos coletivos são revertidos em auxílio para projetos sociais.
As primeiras movimentações para a consolidação do projeto em Pelotas iniciaram em 2024, com a gestão da Otroporto, onde, a partir da assinatura de um Termo de Fomento, a área que hoje abriga a horta começou a ser revitalizada.
