“Não é só contar a história. É fazer com que eles viajem nos livros, se sintam parte da história”

Abre aspas

“Não é só contar a história. É fazer com que eles viajem nos livros, se sintam parte da história”

Dinah Rosa e Janaína Rangel - Projeto Bibliocantos da Bibliotheca Pelotense

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Atualizado sexta-feira,
10 de Abril de 2026 às 11:44

“Não é só contar a história. É fazer com que eles viajem nos livros, se sintam parte da história”
Janaína (E) e Dinah são as responsáveis pelo projeto infanto-juvenil da Bibliotheca (Foto: Reprodução)

Como surgiu o Bibliocantos?
Dinah: A Bibliotheca Pelotense está há mais de 15 anos investindo na formação de público leitor. O Bibliocantos é um projeto que vem através do nosso ônibus literário. Nós temos uma parceria com a empresa Embaixador, onde recebemos um ônibus por doação. Esse projeto de incentivo à leitura, tanto dentro do Bibliocantos quanto na Hora do Faz de Conta, dentro da biblioteca, torna o setor infanto-juvenil um dos líderes de retiradas de livros da biblioteca. Então a gente vê que essa coisa de contar história, de fazer com que eles sintam prazer pelos livros, dá super certo, porque chama atenção. Para nós é muito gratificante trabalhar com isso.

O que se pretende com o projeto?
Dinah: O intuito do Bibliocantos é levar um pouco da biblioteca até as escolas, principalmente para aquelas crianças que não tem um acesso tão fácil aos livros. A gente se preocupa muito em fazer com que eles tenham um pouquinho da biblioteca por perto. A gente tem uma mini biblioteca dentro do ônibus e vamos até as escolas. Eu atendo da educação infantil até o quinto ano, faço contações de história, mediações de leitura, atividades lúdicas e, após essa contação de história, nós levamos eles até o nosso ônibus para que eles tenham um momento de leitura.

O ônibus da Bibliotheca Pelotense também possibilita que os pequenos virem arqueólogos, certo?
Janaína: É um momento de romper as barreiras entre as instituições e as escolas, mostrando que eles podem ser pequenos arqueólogos, é muito legal. A gente leva essa preservação do patrimônio para além dos muros da biblioteca. A biblioteca tem um museu com objetos e acervos. Então, isso tem que ser mostrado, tem que expandir esses horizontes, principalmente para as crianças que não têm acesso, a gente prioriza muito isso levando esses projetos para dentro das escolas que são mais afastadas do centro histórico.

Como funciona o contato com as escolas?
Dinah: É feito por meio de agendamento. No início do ano, a gente sempre manda uma mensagem para as escolas para dizer que estamos com a agenda aberta, caso queiram agendar. Mas, geralmente, as escolas que nos procuram. Nós estamos sempre com a agenda lotada. Inclusive, agora a gente só tem data a partir de julho.

O projeto atende só Pelotas ou é para a Zona Sul?
Janaína: O Bibliocantos, através do ônibus, é só na cidade. Mas, recebemos visitas de escolas de outras cidades que vão até a Bibliotheca, quando ela está aberta, e também conhecem o espaço.

Quais séries escolares são atendidas?
Janaína: O Bibliocantos é um projeto voltado para as séries finais do fundamental, o ensino médio e o técnico. Com o projeto A Hora do Conto, a biblioteca atenderia só os pequenos. Então, nós expandimos essa rede com o Bibliocantos, e passamos a atender toda a rede de ensino. Com isso, levamos a parte da arqueologia e o acervo da biblioteca para as escolas. Então eles têm essa experiência de tocar no acervo, interagir, aprendem como é o jeito certo de manusear um livro e preservar para ele durar por mais tempo. É toda uma educação patrimonial que a gente desenvolve dentro das escolas.

Como é trabalhar diariamente nos projetos?
Dinah: Eu estou à frente do setor infantil e juvenil desde junho do ano passado, faz pouco tempo. Eu sou formada em letras, eu sou apaixonada por livros, por histórias, sempre fui. Para mim é muito gratificante ver o brilho no olho das crianças. Quando você está contando história, eles entram naquele mundo do faz de conta. Por isso que eu sempre tenho a preocupação de encenar, é quase que uma peça de teatro. Não é só contar a história. É fazer com que eles viajem nos livros, se sintam parte da história. Eu acredito que quando a leitura faz sentido para ti, quando tu cria uma conexão com ela, ela deixa de ser uma obrigação e ela passa a ser um prazer.

Janaína: É muito gratificante. Ver eles indo na biblioteca retirar livro depois, para mim isso é mágico. Para mim, aliar essa parte do museu com a escola, com o social, é muito importante. O museu precisa fazer sentido na vida das pessoas. Então, se você não conseguir aproximar a comunidade do seu acervo, você não comunicou. Acho que isso o Bibliocantos cumpre, é encantador, são momentos mágicos.

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