A praia do Cassino, em Rio Grande, amanheceu nesta quinta-feira (9), com uma extensa camada de lama sobre a areia. O trecho compreende boa parte da orla, chegando às proximidades das dunas em alguns pontos. O fenômeno seria consequência da atuação do ciclone extratropical nos últimos dias na região, onde os fortes ventos podem ter causado a suspensão do sedimento. A situação já estaria sendo monitorada pela autoridade portuária.
Além de causar a ressaca observada na Lagoa dos Patos, em Pelotas, e na própria orla da praia do Cassino, os fortes ventos registrados com a passagem do ciclone extratropical podem ter provocado o deslocamento de lama em direção à faixa de areia.
A Portos RS informou em nota que os monitoramentos ambientais mensais indicavam a presença de um bolsão de lama localizado em áreas mais profundas, que poderia ser transportado para regiões rasas e, eventualmente, alcançar a faixa emersa da praia, em função da direção e da força dos ventos, bem como do padrão de ondas gerado pelo ciclone extratropical.
“Como Autoridade Portuária ressaltamos que o fenômeno possui origem ambiental e hidrodinâmica associada à dinâmica natural da Lagoa dos Patos. Programas contínuos de monitoramento ambiental e das operações de dragagem permitem o acompanhamento detalhado do bolsão de lama, da área de descarte dos sedimentos dragados e das condições operacionais das dragas”, afirma a nota.
A Portos RS também garante que as ações estão em conformidade ambiental e legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por isso, o aparecimento da lama não está diretamente relacionado às atividades de dragagem, sendo os registros esperados consequência das condições oceanográficas associadas à passagem do ciclone.
A dragagem de manutenção foi retomada em 21 de março, após o término da janela ambiental de verão definida pelo Ibama. Conforme informado pela Autoridade Portuária, a operação vem sendo executada dentro dos parâmetros licenciados, sem registro de inconformidades tanto na atuação da draga quanto no descarte dos sedimentos.
O monitoramento do bolsão de lama segue cronograma mensal de amostragem e evidencia elevada variabilidade natural, com períodos de acúmulo, transporte e dispersão dos sedimentos. O trabalho é realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
