Alta no diesel e insumos pressiona produtores rurais

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Alta no diesel e insumos pressiona produtores rurais

Segundo a Farsul, próxima safra está comprometida

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Alta no diesel e insumos pressiona produtores rurais
Além do combustível, os insumos agrícolas também registram aumentos expressivos, influenciados pelo cenário internacional (Foto: Jô Folha)

O aumento dos custos de produção no campo tem acendido um alerta entre produtores rurais do Rio Grande do Sul. A combinação entre a alta do diesel e dos fertilizantes já impacta a atual safra e deve pesar ainda mais no próximo ciclo agrícola.

De acordo com o diretor e vice-presidente da (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) Farsul, Fernando Rechsteiner, só o óleo diesel já pode gerar um impacto milionário no Estado. “Se nós fizermos a próxima safra no Rio Grande do Sul com os preços atuais, o produtor gaúcho vai desembolsar a mais R$ 740 milhões somente em óleo diesel”, afirma.

Além do combustível, os insumos agrícolas também registram aumentos expressivos, influenciados pelo cenário internacional. “A ureia hoje já tem uma alta de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Os fosfatados também subiram bastante e o potássio, embora menos, também teve aumento”, destaca.

A conta não fecha

Diante da realidade de aumento de custo que dificilmente tem redução real, o aumento do preço médio das commodities é a solução para manutenção das produções, embora encareça o produto. “Senão a conta não fecha. Não tem milagre”, lamenta.

Segundo Rechsteiner, o encarecimento generalizado deve elevar ainda mais os custos da próxima safra, tornando o cenário preocupante para o produtor. “Para a safra seguinte, esse custo pode subir mais R$ 5 a R$ 8 por saco. Nós vamos precisar de um aumento de quase 30% no preço só para cobrir os custos.”

Defasagem no preço do arroz agrava situação

No caso do arroz, a situação é ainda mais delicada. O dirigente alerta que, sem reação nos preços, há risco de redução de área plantada nas próximas safras. Apesar de oscilações no mercado, o valor pago ao produtor segue abaixo do necessário para cobrir os custos. “Hoje o custo médio está em torno de R$ 80 por saco, mas o produtor recebe cerca de R$ 65. Ainda faltam R$ 15 para empatar”, explica.

Medidas do governo são pouco eficazes

Rechsteiner também demonstrou preocupação com a efetividade das medidas adotadas para conter o preço dos combustíveis. “Quando o governo quer ajudar o produtor, tem que chegar direto nele. Se tiver intermediários, o benefício se perde no caminho.”

Para ele, o momento exige atenção, já que o setor enfrenta aumento de custos em diversas frentes, incluindo combustíveis, insumos e mão de obra. “A conta não fecha. Nós nem estamos falando em lucro, estamos falando em manter a atividade.”

Clima também preocupa

Além dos custos, as condições climáticas também geram apreensão, especialmente para a colheita do arroz na região sul do Estado. “Há previsão de ventos de até 100 km/h, o que pode causar acamamento e perdas na lavoura. Vamos torcer para que não se concretize com essa intensidade”, ressalta.

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