Pelotas foi escolhida como base das operações de prospecção de petróleo no território que compreende a costa entre o sul do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, considerada uma nova fronteira exploratória com potencial de cerca de 15 bilhões de barris. A capacidade da Bacia Pelotas, a primeira do estado do RS, será avaliada através de estudo geológicos, com perfurações previstas a partir de abril de 2028.
A Bacia Pelotas é uma área de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados, localizada no Oceano Atlântico com potencial para exploração de gás e petróleo. A etapa do projeto é de investigação técnica. O objetivo é dimensionar possíveis reservatórios e confirmar fisicamente a presença de hidrocarbonetos no subsolo, por meio de estudos e levantamentos específicos. Uma audiência pública será realizada em breve para detalhar toda a operação.
À reportagem, o prefeito Fernando Marroni avalia a confirmação como um avanço importante para o município. Segundo ele, a escolha de Pelotas como base operacional levou em conta as características logísticas e estruturais da cidade. “Pelotas é um polo regional e tem a vantagem de contar com um aeroporto operacional, o que é fundamental, já que toda a logística será feita por via aérea”, afirmou.
Além da localização, Marroni aponta a formação de mão de obra como um diferencial. De acordo com ele, a presença de cursos como engenharia de petróleo e geologia contribuem para a preparação de profissionais que poderão atuar na cadeia produtiva. “Isso é um insumo importante para uma operação desse porte”, disse.
Apesar do potencial elevado, não há confirmação de reservas comercialmente viáveis até o momento. O processo atual envolve estudos para mapear o subsolo marinho e identificar possíveis reservatórios. A próxima etapa, considerada mais cara e arriscada, é a perfuração de poços exploratórios, que pode confirmar ou não a existência de petróleo em quantidade economicamente viável.
Atualmente, empresas já arremataram entre 40 e 50 blocos exploratórios na Bacia Pelotas através de leilões promovidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Potencial trilionário
Com a estimativa de até 15 bilhões de barris, Pelotas passa a ser associada a um cenário de escala comparável aos grandes projetos do pré-sal, com um potencial bruto que pode ultrapassar US$ 1 trilhão, considerando os preços atuais do petróleo. Apesar da magnitude, trata-se de uma projeção ainda preliminar, já que nem todo o volume é recuperável e os custos da exploração offshore são elevados, envolvendo perfuração de poços, instalação de plataformas e operação em alto-mar. Caso o potencial se confirme e avance para produção, o município pode se beneficiar com a arrecadação de royalties e impostos ao longo das próximas décadas.
O prefeito destaca que ainda é cedo para estimar impactos diretos em empregos, mas a exploração pode representar uma mudança significativa para a região. Mesmo antes do início da exploração, a expectativa é de movimentação econômica na cidade com a instalação de uma base operacional e de um escritório da Petrobras, que deve gerar fluxo de profissionais e serviços.
“É algo muito importante para o Brasil e para o Rio Grande do Sul, que passa a integrar essa cadeia produtiva. Para a nossa região, é uma grande oportunidade de desenvolvimento, com impacto econômico relevante e geração de empregos. Cidades que recebem royalties entram em um novo ciclo de desenvolvimento”, disse”, afirma.
Recente descoberta reforça interesse em Pelotas
Na avaliação dos geólogos Thales Petry e Daniel Bayer, professores do curso de Engenharia Geológica da Universidade Federal de Pelotas, o potencial da Bacia de Pelotas está relacionado a semelhanças geológicas com outras regiões onde já houve descobertas relevantes. Segundo eles, a recente identificação de um reservatório de grande porte no litoral da Namíbia reforça o interesse na área, já que os dois territórios estavam conectados no período de formação desses depósitos.
Os especialistas também destacam que a escolha de Pelotas como base operacional é coerente do ponto de vista logístico e estrutural. A cidade reúne condições favoráveis, como infraestrutura urbana consolidada, presença de universidades voltadas à pesquisa, setor industrial capaz de fornecer insumos e possibilidade de expansão, além de contar com aeroporto para apoio às operações.
Aeroporto é chave
O Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto deverá a principal estrutura da base operacional. O local deve ter papel estratégico na operação. “Toda a logística é feita por helicópteros, com embarque e desembarque das equipes que vão para as plataformas. Também há apoio aos navios, o que deve gerar uma movimentação importante”, explica.
Preocupações com a pesca
Área importante no município, o setor pesqueiro está sendo levado em consideração no estudo. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, a equipe da Petrobrás esteve no departamento para uma apresentação inicial. Foi conversado sobre as comunidades pesqueiras, indígenas e quilombolas. Uma agenda técnica sobre o assunto será realizada em breve.
Os professores Petry e Bayer também alertam que a atividade envolve riscos que precisam ser avaliados com rigor. “Existem vários riscos, por isso essa fase é fundamental”, destacam. Entre os principais pontos de atenção estão impactos econômicos, sociais e ambientais, incluindo possíveis efeitos sobre a fauna e a flora, tanto no ambiente marinho quanto em áreas continentais.
O prefeito avalia que a distância da costa reduz riscos diretos. “A operação será realizada a cerca de 120 quilômetros do litoral, longe da zona pesqueira”, afirmou. Ainda assim, ele confirmou que o tema já está sendo discutido e que novas etapas, como audiências públicas, devem aprofundar o debate.
