“Nós vamos mexer na musculatura íntima, lembra uma consulta ginecológica, mas mais tranquila”

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“Nós vamos mexer na musculatura íntima, lembra uma consulta ginecológica, mas mais tranquila”

Gabriela Vieira Conceição - fisioterapeuta pélvica

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Atualizado quarta-feira,
08 de Abril de 2026 às 10:49

“Nós vamos mexer na musculatura íntima, lembra uma consulta ginecológica, mas mais tranquila”
(Foto: Yan Oliveira)

O que é a fisioterapia pélvica?

Ela ainda é muito vista só para quem quer engravidar, mas vai muito além disso. Hoje, conseguimos reabilitar tanto homens quanto mulheres. Situações como incontinência urinária, perda de urina, constipação crônica e endometriose são casos que frequentemente buscam reabilitação. Ela também é uma baita aliada à alimentação.

E não tô falando de mulheres na terceira idade, tá? Tô falando de mulheres com 18, 22 anos. Hoje esse é o meu maior público: mulheres de 30 anos ou menos que têm dores, que a gente precisa avaliar numa sessão e ver realmente o que está acontecendo.

Nós temos muitos músculos lá embaixo, dentro da pelve. Assim como no pé, no pescoço e na coluna, os músculos da pelve também podem ficar tensos e disfuncionais, causando dor e limitações de movimento. Assim como sentimos dores no pescoço, às vezes não conseguimos mexer direito. Então, as pessoas precisam, sim, da fisioterapia pélvica. Numa pessoa capacitada para se reabilitar, não tem por que seguir vivendo com dor.

Há quanto tempo tu trabalhas nessa área?

Eu fiz a minha primeira pós-graduação em 2015, logo que me formei. Agora, em maio, a minha clínica vai completar 10 anos, e há cinco anos eu trabalho somente com a pelve. O público tem aumentado. As ginecologistas e urologistas, além de outros profissionais, como psicólogos e nutricionistas também mandam, porque notam sintomas que a fisioterapia pélvica ajuda. Uma constipação, diarreia crônica, por exemplo.

Como funciona o atendimento?

É mega íntimo. Nas minhas redes sociais, eu mostro muito como são os atendimentos, porque as pessoas ficam imaginando: “Ah, eu vou chegar lá com uma roupa de ginástica e vou sentar numa bola de pilates”, coisas do gênero e que não têm nada a ver.

O paciente fica deitado e tira a calcinha ou cueca, e nós vamos mexer na musculatura íntima. Lembra uma consulta ginecológica, mas mais tranquila, porque a gente não vai botar nenhum aparelho, nem nada, lá dentro. É super tranquilo para ir avaliando essa musculatura.

E nos homens, como tu faz para quebrar o tabu?

Hoje, muitos homens enfrentam incontinência urinária após o câncer de próstata. Então, vários fazem cirurgias de prostatectomia, muitas vezes até robótica. Tratamentos caros como esses precisam da fisioterapia como aliada. Então, eles não querem ficar usando fralda, nem perdendo xixi, e acabam que aceitam bem esse tipo de tratamento, porque entendem que é importante. Nesse caso, estou falando de um público que realmente vai para a cirurgia e quer se reabilitar. Eu tenho esse viés, assim, no consultório, de receber pessoas que já estão aptas e que querem e buscam isso. Isso também serve, por exemplo, para câncer no reto e intestino.

É muito importante removermos as contraturas e aderências. Para entenderem melhor, imaginem um novelo de lã, todo enrolado, cheio de nó. Não tem como seguir tricotando, não vai ficar bonito o trabalho, né? Então, isso é perder a funcionalidade. A gente também perde a funcionalidade do músculo depois de uma cirurgia. Então, a físio serve para isso, para realinhar toda a musculatura, voltando a ter função, para tu conseguires viver normal.

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