Drenagem ainda é desafio um ano após decreto de emergência

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Drenagem ainda é desafio um ano após decreto de emergência

Prefeitura investiu em casas de bombas e limpeza de canais, mas projetos de grande porte seguem em busca de recursos

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Drenagem ainda é desafio um ano após decreto de emergência
Ao longo do último ano, fortes chuvas causaram alagamentos em diversos pontos (Foto: Jô Folha)

Após os alagamentos provocados por chuvas intensas que levaram Pelotas a decretar situação de emergência há um ano, a prefeitura afirma ter avançado na estrutura de drenagem do município. Segundo o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), no período foram realizadas melhorias em casas de bombas, canais de drenagem e bueiros, além da ampliação das equipes e dos equipamentos de manutenção.

De acordo com a autarquia, o parque de bombeamento passou por reformas e foi reforçado com a aquisição de dois conjuntos de bombas e mangotes. Também foram firmados contratos para serviços de desobstrução de bueiros e galerias com caminhão hidrojato, bem como ampliar o número de equipes dedicadas à limpeza dos canais.

Apesar das intervenções, o próprio Sanep reconhece que o trabalho ainda é permanente e que o sistema pluvial do município demanda novos investimentos. “Ainda há muito o que ser feito para qualificar o sistema de drenagem”, aponta a autarquia, em nota.

Obras e intervenções

Nos últimos meses, algumas intervenções foram realizadas em áreas críticas. Entre elas, está a obra na rede de drenagem do loteamento Clara Nunes, no bairro Cruzeiro, e na região da Farmácia Municipal, com investimento de cerca de R$ 3,9 milhões.

Também foi executada a reconstrução de trechos do canal do Pepino, que haviam sido danificados durante a enchente de 2024. A intervenção teve custo de aproximadamente R$ 502,8 mil, com recursos da Defesa Civil Nacional e contrapartida municipal.

Outra frente de trabalho se dedicou aos canais urbanos. Mais de 20 quilômetros de canais passaram por serviços de desobstrução e aprofundamento, incluindo trechos nas avenidas Bento Gonçalves e São Francisco de Paula e na Estrada do Engenho. Em alguns pontos, a profundidade dos canais foi ampliada em até um metro.

Projetos em andamento

Mesmo diante da intensificação da manutenção, problemas estruturais históricos ainda dependem de projetos maiores. Entre as iniciativas, estão estudos hidrodinâmicos e geotécnicos voltados a obras de drenagem e contenção de cheias no Laranjal, que recentemente tiveram aprovação técnica do governo do Estado.

Além disso, o prefeito Fernando Marroni (PT) assinou contrato para a liberação de R$ 23,9 milhões do Orçamento Geral da União, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinados a obras de drenagem pluvial na região do Areal Fundos. Intervenções também estão previstas para áreas como o entorno do Obelisco e da Vasco Pires, com recursos do Plano Rio Grande, do governo estadual.

Chuvas testaram o sistema

Dados da estação meteorológica da Embrapa Clima Temperado mostram que o sistema de drenagem foi submetido a diversos episódios de chuva volumosa ao longo de 2025. O mês mais crítico foi dezembro, quando foram registrados 277,5 milímetros de precipitação, com 163,5 mm concentrados em um único dia, um dos eventos mais intensos do período.

Outros meses também apresentaram volumes significativos, como agosto, com 271,8 mm acumulados, e abril, com 243,2 mm. Em vários casos, os maiores impactos na cidade ocorreram quando grande quantidade de chuva caiu em poucas horas, situação que tende a sobrecarregar o sistema de escoamento urbano.

Possibilidade de El Niño

Para o segundo semestre de 2026, meteorologistas apontam a possibilidade de formação do fenômeno El Niño, que aumenta as chuvas no Sul do Brasil. Segundo o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a probabilidade de ocorrência do El Niño entre junho e agosto chega a 62%, com possibilidade de persistência na segunda metade do ano.

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