Ciclone causa ressaca na Lagoa e ventos acima de 120 km/h na Zona Sul

Clima

Ciclone causa ressaca na Lagoa e ventos acima de 120 km/h na Zona Sul

Estragos foram registrados no Extremo Sul e em cidades da Costa Doce

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Ciclone causa ressaca na Lagoa e ventos acima de 120 km/h na Zona Sul
(Foto: Jô Folha)

O Rio Grande do Sul esteve sob alerta para a passagem de um ciclone extratropical, formado na fronteira com o Uruguai, desde o começo da semana. O fenômeno climático teve impactos diferentes conforme a região atingida e o período do seu deslocamento em direção ao Oceano Atlântico. Na Zona Sul do Estado, esse impacto veio com as fortes rajadas de vento que causaram destelhamentos de residências, quedas de postes e árvores, falta de energia elétrica e também ressaca no litoral.

Um dos boletins operacionais emitidos pela Defesa Civil gaúcha no começo da manhã de ontem registrou a ocorrência de rajadas de vento de 122 quilômetros por hora em Santa Vitória do Palmar.

Quem passou pela praia do Laranjal durante o começo da tarde de ontem pode reparar em uma forte ressaca que mudou o cenário da Lagoa dos Patos. Conforme o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet) da UFPel, os ventos soprando forte de oeste de forma constante, causaram um recuo das águas.

A Defesa Civil de Pelotas informou que as ocorrências registradas no município foram leves, com atendimentos a solicitações de lonas e recolhimento de galhos de árvores. Apesar de rajadas de vento que atingiram entre 59 e 80 quilômetros por hora e constância de 40 quilômetros por hora, de acordo com dados do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), não houve bloqueio de ruas em decorrência do ciclone. O pico de intensidade dos ventos teria ocorrido entre 6h e 12h de ontem. “Diferentemente do tornado, o ciclone é previsível, o que nos possibilitou preparar uma logística e a atuação em formato de plantão para atender possíveis demandas”, explica o secretário da Defesa Civil, Milton Martins.

De acordo com o CPPMet, o cenário climático deve ter uma melhora a partir de hoje. Com o afastamento do ciclone extratropical, uma massa de ar mais fria e seca começa a adentrar o Estado, diminuindo as temperaturas mínimas de forma generalizada, ao mesmo tempo que diminui a nebulosidade. Esta condição favorece uma maior amplitude térmica em comparação com os últimos dias. Os ventos ficam mais fracos, com rajadas moderadas restritas à costa gaúcha e áreas nas proximidades.

Falta de energia elétrica

Os fortes ventos causaram quedas de árvores e postes de energia, situações que deixaram milhares de consumidores sem energia elétrica na Zona Sul. Não há um número total de consumidores afetados na região, mas a CEEE Equatorial informou o desabastecimento de nove mil unidades consumidoras em Santa Vitória do Palmar. Bairros de Pelotas, como o Laranjal, registraram falta de luz ao longo da manhã.

Em Rio Grande, a prefeitura comunicou que semáforos da região Central do município estavam inoperantes por falta de energia. Moradores do bairro Mangueira, nas proximidades da BR-392, realizaram um protesto contra o desabastecimento, que foi agravado com a passagem do ciclone extratropical. A Ponte dos Franceses, no distrito industrial rio-grandino, foi bloqueada nos dois sentidos pelos manifestantes, durante a manhã, para a reivindicação.

Impactos

As rajadas de vento superiores a 120 quilômetros por hora causaram a queda de árvores na BR-471, próximo ao Taim, entre Santa Vitória do Palmar e Rio Grande. A via chegou a ficar parcialmente interrompida durante a manhã.

Em Jaguarão, ruas precisaram ser interrompidas por conta de postes que estavam sob iminência de cair. De acordo com a Defesa Civil do município, o atendimento a esses casos foi realizado pelo serviço regional da CEEE Equatorial, sem maiores danos. O órgão também repassou telhas para uma residência que foi destelhada.

Um muro da garagem da empresa responsável pelo transporte coletivo de Rio Grande desabou com os ventos e atingiu diversos carros de funcionários. A empresa comprometeu-se a arcar com o conserto dos veículos.

O transporte aquaviário entre Rio Grande e São José do Norte chegou a ser totalmente paralisado durante a manhã de ontem. O transporte de passageiros retomou as travessias no começo da tarde, assim como o transporte de veículos com balsas.

Ações preventivas

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) publicou uma portaria onde comunicava a paralisação das atividades acadêmicas e administrativas no Campus Carreiros, em Rio Grande, durante a quarta-feira. A decisão considerou os prognósticos climáticos do Ciex, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e, também, a recomendação da Defesa Civil, que alertava sobre as intensas rajadas de vento e a passagem de uma frente fria.

As aulas nas redes municipais de ensino de Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e São José do Norte também foram suspensas, após uma reunião realizada na terça-feira, que integrou defesa civil, pesquisadores e prefeituras, onde o cenário climático foi analisado.

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