Ampara, acolhimento e transformação para mulheres. A frase inspira a plataforma que surgiu para ser a ponte entre quem quer ajudar – da maneira que puder – mulheres que estão no processo de separação e que precisam, na maioria das vezes, apoio emocional, jurídico e social. Em tempos em que a violência contra mulher cresce exponencialmente no Brasil, a consteladora familiar sistêmica, Kellen Rosa estima que, dentro de um ano, a Ampara possa alcançar 10 mil mulheres com conteúdos gratuitos. O projeto nasceu de uma das incubadoras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que trabalha com tecnologia e inovação. O aplicativo será, de forma gratuita, segura e anônima, como uma ponte entre mulheres que relatam o que mais necessitam no momento e aos que estão dispostos a ajudar.
Como surgiu a iniciativa?
Foi por conta de algumas histórias de mulheres que apareceram durante algumas consultorias as quais eu prestava e que chamaram atenção. A gente pensa sempre que quem precisa de auxílio é quem não tem condição financeira. Escutando alguns relatos, pensei de que forma poderia colaborar. Muita coisa já está sendo feita para auxiliar essas mulheres que passam por diversos tipos de situações, o Estado está focado em preservar a vida de cada uma. Só que depois que essa mulher já decidiu se separar, parece que todas as ajudas cessam. Então, o projeto chega para esse momento, a hora que ela fica sem apoio nenhum. O que ela precisa para passar por isso sem perder a dignidade? É uma panela para fazer a comida para o filho? É uma consultoria jurídica? O que ela acredita que ela precisa? A gente não vai pré-definir.
Algum caso que tenha sido mais impactante até agora?
Teve um que a pessoa precisava de uma cama, porque a que tinha comprado, seu ex-marido não a deixou levar, aliás, nem as roupas. E toda vez que ela tentava, era novamente humilhada. Conseguimos uma cama com uma pessoa que se dispôs a doar. Até hoje o processo não acabou, ela não reviu nada. Aí é outro tipo de violência, a jurídica patrimonial porque o processo segue torturando a pessoa.
Como a plataforma vai funcionar?
Pensamos com muito cuidado como seria essa parte porque muitas vezes a mulher não pode se expor por questões de segurança. Então, ela vai cadastrar um nome, um telefone que possamos entrar em contato, e depois iremos validar para confirmar se ela realmente está certa em seguir com a decisão de separar, de seguir daqui para frente por sua conta. Existem estatísticas que comprovam que muitas tentam 11 vezes sair da relação e não conseguem. Já temos uma parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres de Pelotas para fazermos o encaminhamento aos serviços oferecidos pela cidade.
As pessoas que querem ajudar, como entram em contato?
Importante dizer que essa mulher se inscreveu, o cadastro foi aprovado e aqueles pedidos que ela diz que são as coisas mais importantes estarão registrados na plataforma. Para quem vai ajudar, vai aparecer apenas o pedido. A plataforma vai fazer a mediação, para proteger a identidade dos dois lados, porque quem está doando também não precisa se envolver com a questão. É uma doação, um auxílio, uma hora do seu serviço, uma advogada que queira colaborar com seu tempo e conhecimento. Todos os interessados podem nos contatar pela rede social, @projetoampara.
